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Flávio Bolsonaro admite falta de provas de fraude eleitoral e coloca pai como candidato em 2030

Em entrevista à Folha de S.Paulo, senador admitiu não ter provas de fraude eleitoral e afirmou que Jair Bolsonaro será o candidato do grupo em 2030, se puder disputar

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) • Saulo Cruz/Agência Senado

Em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, concedida em Miami (EUA) na quinta-feira (5), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que nem ele nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) podem dizer, “com 100% de certeza”, quem foi eleito presidente do Brasil. Embora tenha reconhecido que não possui provas de fraudes nas eleições, o parlamentar alegou que o assunto é “proibido de ser investigado” no país.

A entrevista foi a primeira concedida pelo senador a um veículo de imprensa brasileiro desde que deixou o país. Segundo a Folha, Flávio abandonou o tom mais moderado adotado durante a campanha e se aproximou do discurso do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a conversa, defendeu o voto impresso e acusou o governo Lula de ter um projeto “comunista”.

Ação no TSE e críticas às instituições

Flávio afirmou que o PL pretende pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin por abuso de poder econômico. A iniciativa, segundo ele, terá como base medidas adotadas pelo governo durante a campanha, como o aumento do Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e o repasse de R$ 5 mil por meio de Pix para microempreendedores individuais (MEIs).

O senador também afirmou que o Brasil não vive uma “democracia plena”, sob a justificativa de que não há liberdade de manifestação e de que o governo teria domínio sobre as instituições, incluindo o TSE. A corte eleitoral é presidida pelo ministro Kassio Nunes Marques e tem André Mendonça como vice-presidente. Ambos foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro.

Motivos da saída do Brasil e rotina nos EUA

Flávio justificou sua saída do país como uma forma de não “legitimar processo ditatorial comandado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes”. Durante a entrevista, no entanto, recusou-se a detalhar como deixou o Brasil ou a revelar quem o ajudou e financiou a viagem. Sobre a permanência nos Estados Unidos, o senador afirmou que ainda vai decidir com a família em qual cidade pretende morar. Disse também que está se mantendo com reservas financeiras.

Questionado sobre a possibilidade de retornar ao Brasil, Flávio indicou que não pretende “cometer o mesmo erro” do pai, que voltou ao país em 2023, após três meses na Flórida, e foi preso pouco mais de dois anos depois. Sobre o mandato no Senado, afirmou que pretende participar das sessões remotamente sempre que houver essa possibilidade.

Sucessão política e articulações para 2030

Ao comentar as críticas de aliados após a divulgação de uma carta sobre o resultado das eleições, Flávio afirmou que nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se manifestaram publicamente por medo de retaliações.

Sobre a possibilidade de Tarcísio disputar a Presidência em 2030, o senador afirmou que “todo mundo tem o direito de se colocar como candidato”. Flávio acrescentou que também pretende concorrer ao cargo, caso tenha o apoio do partido. O parlamentar, porém, ressaltou que, se Jair Bolsonaro recuperar os direitos políticos, o ex-presidente será o candidato do grupo.

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