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'Quero deixar claro que agrément não foi recusado', diz Celso Amorim sobre embaixador americano

O assessor chefe do Itamaraty confirmou que Lula só tomará uma decisão após as eleições; para ele, a indicação teve motivação eleitoral

PorBrasília
O assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim
O assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim • Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, confirmou que o aval do embaixador americano Daniel Perez para assumir o posto no Brasil não foi recusado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com o assessor, o chefe do Executivo brasileiro não pretende tomar nenhuma decisão sobre pedidos de agrément (aprovação) antes das eleições de outubro deste ano.

“Quero deixar isso claro, que agrément não foi recusado. A decisão do presidente Lula é que ele não vai aceitar nenhum pedido de agrément, de nenhum país, nem da Rússia, nem dos EUA, nem da França, nem de qualquer que seja, antes das eleições”, disse. 

Amorim compareceu à CREDN nesta quarta-feira (12) para prestar esclarecimentos sobre a resposta do Itamaraty à comissão sobre o debate nos Estados Unidos pela possibilidade de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Na época, os parlamentares convocaram a autoridade do ministério das relações exteriores porque consideraram genéricas as respostas da pasta sobre o tema. 

Acusações

As declarações foram dadas após o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Desenvolvimento Nacional (CREDN), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), afirmar que a condução do ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) não tem mantido as “relações pragmáticas” e tem deixado a “vaidade” e a “ideologização”  ficarem acima da tratativa com o governo dos Estados Unidos da América (EUA).



De acordo com o parlamentar, o Brasil perdeu prestígio nas relações internacionais e o cenário era distante do que o governo federal quer mostrar, já que nenhum projeto teria sido apresentado pelo Itamaraty à comissão nos últimos 20 anos.

Motivações eleitorais

Celso Amorim categorizou o procedimento adotado pelos Estados Unidos para indicar o embaixador foi “totalmente contrário às regras internacionais” e classificou a situação como “bizarra”, por não ter seguido o tratamento técnico esperado.

“Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro. Este é um comportamento totalmente contrário às regras internacionais”, afirmou.

Ainda segundo o assessor, a forma de condução do processo não teria sido por acaso e estaria relacionada a interesses eleitorais.

"Logo que saiu o governo [Joe] Biden, o embaixador saiu e ficou um ano e meio [sem ninguém no posto]. O Brasil parecia que não tinha importância, ficava aqui o encarregado de negócios", lembrou.

Por

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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