Planalto aponta nova pressão dos EUA e não espera acordo antes das eleições
Departamento de Estado relacionou medida à demora do governo brasileiro em aprovar Daniel Perez, indicado para representar os Estados Unidos no país

O Palácio do Planalto e auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nessa segunda-feira (3), uma nova tentativa de interferência norte-americana nas eleições de 2026. Diante da crise diplomática, o governo brasileiro descarta conceder o agrément ao deputado da Flórida Daniel Perez, indicado por Washington para o posto de embaixador no Brasil, antes de outubro.
Ao aplicar a sanção contra Viotti, o Departamento de Estado reclamou que o Brasil ainda não havia concedido o agrément para o escolhido. Auxiliares do presidente Lula indicam que nenhum agrément – que é, na prática, a aprovação a um embaixador indicado – será concedido pelo Brasil até as eleições de 2026. Essa decisão precisa passar pelo petista, que agora volta suas atenções a agendas de campanha.
A avaliação geral sobre a indicação é de que, caso a análise técnica do Itamaraty validasse Perez, o presidente Lula a aprovaria. Contudo, o constrangimento da retirada do visto de Viotti deve reforçar o elemento político na decisão do presidente.
A diplomacia brasileira reclama de os Estados Unidos terem indicado Perez sem uma consulta prévia ao Itamaraty, uma praxe nas relações internacionais. Além disso, interlocutores do presidente questionam a pressa da Casa Branca em aprovar o nome de Perez às vésperas das eleições, sendo que até aqui, em seu mandato, o presidente Donald Trump tinha optado por não indicar um embaixador no Brasil.
A gestão federal não descarta a aplicação de novas sanções por parte do Departamento de Estado contra brasileiros. A chance de os Estados Unidos voltarem a atingir o Brasil nas frentes comercial e financeira, com tarifas ou a Lei Magnitsky, é considerada mais remota.
Auxiliares do presidente Lula trabalham, em meio à crise diplomática, em uma lista de possibilidades para o Brasil estudar reciprocidade contra os EUA, de acordo com fontes.
A gestão federal avalia a revogação do visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti pelo Departamento de Estado como “simbólica” e vai manter a diplomata no país, segundo apurou a CNN Brasil. A interpretação de interlocutores do presidente sobre a decisão norte-americana é de que foi retirada a permissão de Viotti para múltiplas entradas no país. A diplomata não teria perdido o seu visto e poderia continuar exercendo suas funções. Mas, caso deixe os Estados Unidos, não conseguiria retornar.
O Palácio do Planalto entende a medida como grave – apesar de classificá-la como simbólica. Neste momento, a gestão federal decidiu adotar cautela e aguardar por novas movimentações dos Estados Unidos. Segundo interlocutores de Lula, não há intenção de retirar Viotti do país, mas a avaliação pode mudar em caso de novos “constrangimentos” a funcionários brasileiros. Diante da situação, o Planalto descarta acelerar aval ao embaixador dos EUA.
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