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Quem é o delegado que assume interinamente diretoria-geral da PF no lugar de Andrei Rodrigues

Delegado era o 02 na corporação e substituto direto de Andrei Rodrigues desde 2025

PorBrasília
Marcos Oliveira/Agência Senado

O delegado William Marcel Murad, que assume interinamente o comando da Polícia Federal (PF) após afastamento de Andrei Rodrigues nesta terça-feira (08) era o substituto direto do ex-diretor geral. Ele era, desde 2025, o 02 na estrutura da instituição. Murad tem mais de duas décadas de carreira na corporação e acumula passagens pelas áreas de inteligência, combate ao crime organizado, repressão ao tráfico de drogas e cooperação internacional.

O delegado assumiu o comando da PF após a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça pelo afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, do diretor de Inteligência, Leandro Almada, nesta manhã.

O primeiro compromisso foi na abertura de um curso de formação de agentes na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Andrei estava no local, mas deixou de participar da cerimônia quando soube da ordem e Murad assumiu a representação.

Durante o discurso, Murad defendeu a credibilidade da PF, sobretudo por ser uma instituição apartidária e técnica. Também manifestou confiança em Andrei e acrescentou que a corporação não se deixará abalar por ataques.

“Saber que trabalhamos estritamente dentro da lei, comprometidos exclusivamente com o interesse público, nos mantém confiantes em que a verdade dos fatos, que buscamos incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá”, disse durante o evento.

Carreira de 20 anos na PF

Com perfil técnico, Murad tem a trajetória marcada por cargos estratégicos em diferentes governos. Ele exerceu funções de chefia e direção nas gestões de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB), Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Murad ingressou na Polícia Federal em 2002, com atuação operacional na Superintendência da PF em Pernambuco e carreira à frente de departamentos de Repressão a Entorpecentes, combate ao tráfico de drogas e enfrentamento do crime organizado.

Ele aculmula especializações no Brasil e no exterior, com curso de Inteligência Antidrogas em Lima, no Peru, e Curso de Inteligência Policial da própria PF, além de formação pela FBI National Academy, nos Estados Unidos.

Assim como Andrei, o diretor interino também integrou a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, vinculada ao Ministério da Justiça. No órgão, foi diretor de projetos especiais e coordenador substituto do Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, estrutura responsável pelo planejamento de segurança da Copa do Mundo de 2014. Ele também teve participação na estrutura de segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Em 2017, chegou a uma das áreas que hoje está no centro da crise envolvendo a PF e o Supremo. Murad foi coordenador-geral de Inteligência da Diretoria de Inteligência Policial (DIP). Na sequência, assumiu a coordenação-geral de Tecnologia da Informação e, em maio de 2018, tornou-se diretor de Tecnologia da Informação e Inovação da Polícia Federal. Permaneceu no cargo até maio de 2021.

Antes de chegar ao segundo posto mais importante da Polícia Federal, Murad acumulou experiência na área de cooperação internacional. Durante três anos, atuou como adido, cargo em que o policial federal é uma espécie de elo da PF com autoridades policiais e de segurança estrangeiras. Sua atuação foi no Reino Unido e na Irlanda do Norte.

Ministro do STF aponta irregularidades

A substituição foi feita após o ministro André Mendonça apontar supostas irregularidades na produção de relatórios da área de inteligência da PF. O magistrado afirma que documentos produzidos entre agosto e setembro analisaram sua atuação e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Para ele, o episódio faz parte de um "monitoramento sistemático e ilegal."

A decisão é cautelar e não representa condenação. Diante da situação, 11 dos 13 diretores colocaram os cargos à disposição de Murad e manifestaram apoio aos diretores afastados.  

A Segunda Turma do STF formou maioria nesta terça para manter a decisão de Mendonça, mas a conclusão do julgamento, foi interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A cúpula da PF reagiu ao afastamento:

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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