Mesmo com vista, STF forma maioria para manter afastamento de Andrei da PF
Segunda Turma referenda decisão de André Mendonça, mas julgamento é interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes

Mesmo com um pedido de vista, ou mais tempo para análise do caso feito pelo ministro Gilmar Mendes, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (8) para referendar a decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
A maioria foi formada após os ministros Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam seus votos e acompanharam Mendonça, formando o placar favorável à manutenção do afastamento.
Com o pedido de vista, a análise definitiva da medida fica suspensa até a retomada do julgamento. A decisão de Mendonça também afastou o delegado Leandro Almada da Costa do cargo de diretor de Inteligência Policial da PF.
O afastamento de Andrei Rodrigues é mais um capítulo da crise que envolve ministros do Supremo e a cúpula da Polícia Federal.
Mendonça determinou a medida após apontar supostas irregularidades na produção de relatórios de inteligência da PF que analisaram autoridades e chegaram ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Mendonça, ele próprio teria sido alvo de monitoramento ilegal por mais de 30 dias. O ministro também determinou a abertura de investigações para apurar a produção dos documentos.
A decisão provocou reação porque os relatórios foram utilizados por Moraes para questionar a atuação de Mendonça nos casos Banco Master e INSS. Moraes chegou a pedir uma investigação contra o colega por suspeitas de abuso de autoridade e outros crimes.
Além dos afastamentos, Mendonça determinou a suspensão da produção, elaboração e compartilhamento de relatórios de inteligência que tenham como objetivo analisar atos praticados por ministros do STF, integrantes da Advocacia-Geral da União e autoridades da Polícia Judiciária.
Para o ministro, a medida é necessária para evitar que prerrogativas funcionais sejam utilizadas para comprometer a coleta de provas, dificultar investigações ou interferir em procedimentos administrativos.
A decisão de Mendonça havia sido submetida à Segunda Turma para referendo. O colegiado é formado por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques e pelo próprio André Mendonça.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio




