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PT quer negociar com partidos do Centrão antes de definir ministérios do governo Lula 4

Edinho Silva deve iniciar conversas com as legendas após o feriado de Finados. Lula pretende condicionar a distribuição de cargos ao compromisso de cada partido com as propostas do governo no Congresso.

Por, Brasília
Presidente do PT, Edinho Silva
Presidente do PT, Edinho Silva • João Pedro Melo/Itatiaia Brasília

O PT pretende ouvir todos os partidos do Centrão antes de avançar na montagem do quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A articulação busca identificar quais legendas estão dispostas a integrar a base governista e, principalmente, quantos votos poderão garantir ao Palácio do Planalto nas próximas votações do Congresso Nacional.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi escolhido por Lula para conduzir as primeiras conversas com as lideranças partidárias. Os encontros devem começar nesta terça-feira (3), depois do feriado de Finados. Outros representantes do governo e o próprio presidente também poderão participar das negociações.

A estratégia do governo é adotar critérios mais rigorosos na distribuição dos ministérios e dos cargos na Esplanada. A intenção é que os espaços sejam destinados a partidos que demonstrem compromisso com as pautas prioritárias do Executivo e tenham condições de mobilizar suas bancadas em favor dos projetos governistas.

A mudança ocorre depois de dificuldades enfrentadas por Lula no terceiro mandato. Mesmo com indicações de partidos como MDB, PSD e União Brasil para ministérios, o presidente não conseguiu garantir apoio integral dessas legendas no Congresso. Em diferentes ocasiões, parlamentares desses partidos votaram contra propostas do governo.

A iniciativa também considera o posicionamento das legendas durante o segundo turno da eleição presidencial. A maior parte dos partidos do Centrão declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa. Entre eles estão Republicanos, MDB, Podemos e a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.

Apesar disso, o PT avalia que não necessariamente precisará incorporar partidos inteiros à base governista. A ideia é negociar também com grupos regionais e lideranças que tenham proximidade com o presidente, mesmo quando suas legendas adotaram posições diferentes durante a eleição.

O PSD, por exemplo, manteve neutralidade oficial no segundo turno, enquanto setores de outras siglas do Centrão apoiaram diretamente Flávio Bolsonaro. Essa divisão interna pode abrir espaço para acordos específicos com parlamentares e dirigentes estaduais.

A montagem do novo ministério também deverá contemplar aliados que não conseguiram se eleger em 2026 e nomes que tiveram participação importante na campanha de reeleição. Entre os cotados estão o ex-ministro Fernando Haddad, a ex-ministra Gleisi Hoffmann e a senadora Simone Tebet. Para a Casa Civil, o nome do senador Camilo Santana ganhou força, enquanto o governador do Piauí, Rafael Fonteles, aparece entre os cotados para a Fazenda.

O desafio político será ainda maior porque o PL terá as maiores bancadas da Câmara e do Senado a partir de fevereiro de 2027. Na Câmara, serão 121 deputados do partido, contra 70 do PT. No Senado, a legenda contará com 29 parlamentares, enquanto o PT terá dez.

Diante desse cenário, Lula pretende construir uma base de apoio mais previsível, reduzindo o risco de derrotas em votações importantes. A expectativa é concluir a montagem da nova Esplanada até dezembro, antes da posse do quarto mandato, em janeiro de 2027.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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