Itatiaia

Pressão do PT pode deixar PL fora de bloco de Motta e reduzir espaço do partido na Câmara

Federação formada por PT, PCdoB e PV ameaça abandonar aliança caso o PL e o Novo sejam incluídos. Sem integrar o grupo, partido de Flávio Bolsonaro pode perder prioridade na escolha de comissões estratégicas, como a CCJ.

Por, Brasília
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB)
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB) • Marina Ramos / Câmara dos Deputados

O Partido Liberal (PL) corre o risco de perder espaço na estrutura de poder da Câmara dos Deputados a partir de 2027. Uma articulação liderada pelo PT tenta impedir a entrada da legenda no blocão de partidos organizado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em apoio à sua reeleição.

A federação formada por PT, PCdoB e PV, que reúne 88 deputados eleitos, sinalizou a Motta que pode deixar o grupo caso o PL e o Novo sejam incorporados à aliança. O presidente da Câmara, por sua vez, afirmou que as legendas serão consultadas antes de qualquer decisão sobre a entrada de novos integrantes.

A disputa tem impacto direto na distribuição dos principais cargos e espaços de influência do Legislativo. O PL elegeu 121 deputados para a próxima legislatura e terá a maior bancada individual da Câmara. Entretanto, o tamanho da sigla pode não ser suficiente para garantir prioridade na escolha das presidências das comissões permanentes caso fique isolada.

Isso porque o Regimento Interno da Câmara estabelece que a distribuição das vagas nos colegiados deve respeitar, tanto quanto possível, o princípio da proporcionalidade partidária. Na prática, partidos que formam blocos parlamentares somam suas bancadas e ampliam o peso nas negociações.

O blocão articulado por Hugo Motta pode reunir mais de 360 deputados, com partidos de diferentes campos políticos, incluindo PT, Republicanos, MDB, PSD, União Brasil, PP, Podemos, PSB e PDT. A composição representa uma ampla aliança em torno da candidatura de Motta à presidência da Câmara em fevereiro de 2027.

Caso fique de fora, o PL poderá cair para o fim da fila na escolha das presidências das comissões. Cálculos de integrantes da articulação indicam que a legenda pode ficar apenas com a 16ª preferência na distribuição dos colegiados, reduzindo as chances de comandar espaços estratégicos.

Um dos principais prejudicados pode ser o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que já manifestou interesse em assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das mais importantes da Câmara. O colegiado analisa a constitucionalidade das propostas e funciona como uma das principais portas de entrada para a tramitação de projetos.

A movimentação também representa uma tentativa do PT de limitar a influência do PL na próxima legislatura. A legenda de Flávio Bolsonaro pretende ampliar sua participação na estrutura do Congresso, mas enfrenta resistência de partidos que já integram a articulação de Hugo Motta.

O presidente da Câmara terá, portanto, que administrar interesses divergentes para manter a unidade do grupo que apoia sua recondução ao comando da Casa. A decisão sobre a entrada do PL e do Novo pode definir não apenas o tamanho do blocão, mas também a distribuição de poder entre governo e oposição no Legislativo a partir de 2027.

 

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

Belo Horizonte