Governo pretere Juiz de fora e explica transferência da capital para Ubá
Simões segue sua agenda de transferência da capital do estado para cidades do interior; na Zona da Mata, ele não escolheu a maior cidade da região para receber o título

Empossado há pouco mais de uma semana, o governador Mateus Simões (PSD) segue em sua jornada de 100 dias pelo interior transferindo simbolicamente a capital do estado de Belo Horizonte para cidades-polo de cada região. Nesta quarta-feira (1º) foi a vez dele desembarcar em Ubá, na Zona da Mata, e conferir à cidade o título de centro administrativo e político de Minas.
Ubá é a terceira ‘nova capital’ escolhida por Simões. Antes, ele foi ao Triângulo Mineiro e concedeu o título a Uberlândia e, depois, foi ao Vale do Aço e escolheu Ipatinga para o ato simbólico.
Nas duas primeiras oportunidades, as cidades escolhidas foram as mais populosas e economicamente relevantes de suas regiões. No caso da Zona da Mata, embora Ubá seja um polo econômico importante para as cidades menores a seu redor, Juiz de Fora desponta como o município mais relevante da região.
Segundo o Censo de 2022, Juiz de Fora tem 540.756 habitantes, é a quarta cidade mais populosa do estado e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a arrecadação da cidade em 2024 foi de R$ 3 bilhões. Já Ubá tem 103.365 moradores e uma receita de R$ 563 milhões.
Se Juiz de Fora fosse escolhida, Simões transferiria a capital para uma cidade comandada por Margarida Salomão (PT), uma adversária política. Em Ubá, ele foi recebido por seu correligionário José Damato (PSD). Em Uberlândia e Ipatinga, os prefeitos também eram aliados do governo: Paulo Sérgio (PP) e Gustavo Nunes (PL), respectivamente.
Em entrevista coletiva em Ubá, Simões justificou a escolha pela cidade e disse que o movimento não tem a ver com as chuvas que assolaram a Zona da Mata em fevereiro. Tragédia essa que afetou sobremaneira Juiz de Fora.
“Essa decisão não foi tomada depois da tragédia. Se vocês olharem a minha reserva de hotel e a formação de todo o cronograma foi feito ainda em janeiro, quando Ubá foi escolhida por conta da potência industrial que ela é, por conta do que Ubá representa para a região da Zona da Mata. Depois que tudo que aconteceu, essa decisão pode parecer estar contaminada pela questão da tragédia, mas eu quero aproveitar esse momento para lembrar que nós mineiros não somos definidos pelo o momento das nossas dificuldades, mas por nossa capacidade de trabalho”, explicou.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
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