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PEC da Segurança volta ao Senado sob impasse sobre maioridade penal

Governo tenta avançar com proposta nesta terça-feira (3), mas enfrenta pressão da oposição para incluir redução da idade penal. Alterações no texto podem obrigar nova análise pela Câmara.

Por, Brasília
Senado Federal durante votação pelo fim da escala 6x1 na última quarta-feira (14)
Plenário do Senado Federal. • Ton Molina/Agência Senado

O Senado Federal retoma nesta terça-feira (3) a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, considerada uma das prioridades do governo Lula. A análise ocorre em meio a um impasse entre governistas e oposição sobre a tentativa de incluir no texto a redução da maioridade penal.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou a sessão para as 16h. A base aliada do governo trabalha para aprovar a proposta em dois turnos no mesmo dia, aproveitando um calendário especial aprovado anteriormente pelo plenário, que dispensa o intervalo regimental entre as votações.

O principal obstáculo é a emenda apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral. Para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo, a responsabilização poderia começar aos 14 anos.

O governo tenta evitar que a mudança seja incorporada à PEC. A posição do Planalto é que o debate sobre a maioridade penal seja feito em uma proposta separada, para não atrasar a tramitação da reforma da segurança pública. Caso o Senado altere o texto aprovado pela Câmara, a matéria precisará retornar aos deputados.

Proposta alternativa divide o PT

Na tentativa de construir um acordo, o senador Camilo Santana (PT-CE) apresentou uma emenda alternativa, que prevê reduzir a maioridade penal para 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.

A iniciativa, porém, não conseguiu consenso dentro do próprio PT. Parte dos parlamentares considera que a mudança contraria a posição histórica do partido sobre o tema. Outra ala avalia que discutir a redução pode ajudar a evitar que o governo fique isolado em um debate de grande repercussão pública.

O presidente Lula já declarou ser favorável à redução da maioridade em casos de crimes graves, mas defende que o assunto não seja incluído na PEC da Segurança.

Para ser aprovada, uma proposta de emenda à Constituição precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis no Senado, o equivalente a três quintos dos 81 parlamentares, em cada um dos dois turnos.

O que prevê a PEC da Segurança

A PEC 18/2025 foi apresentada pelo governo federal e aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 14 de outubro. O texto busca ampliar a integração entre União, estados, Distrito Federal e municípios no combate à criminalidade.

Entre os principais pontos estão a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal e o fortalecimento da atuação coordenada das forças de segurança.

A proposta também estabelece regras mais rigorosas para integrantes e líderes de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares. Entre as medidas estão restrições a benefícios penais, possibilidade de confisco de bens relacionados a atividades criminosas e proteção a denunciantes e familiares.

A aprovação da PEC também é importante para os planos do governo Lula de criar um Ministério da Segurança Pública. O projeto depende do avanço da proposta para reorganizar a estrutura federal na área.

Se o Senado aprovar o texto sem alterações em relação à versão que veio da Câmara, a matéria poderá seguir para promulgação. Caso sejam aprovadas mudanças, a proposta terá de passar novamente pelos deputados.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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