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O entrave da vez nas negociações pela repactuação de Mariana

Reunião da semana passada, em Vitória (ES), foi acalorada

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O rompimento da barragem de Fundão deixou 19 pessoas mortas e um dano ambiental ainda incalculável
O rompimento da barragem de Fundão deixou 19 pessoas mortas e um dano ambiental ainda incalculável • Divulgação

O entrave da vez nas negociações pela repactuação do acordo de Mariana se dá na parte ambiental. Durante uma acalorada discussão na última semana, em reunião marcada pelo TRF-6 em Vitória, no Espírito Santo, as partes não chegaram a um acordo sobre o aproveitamento dos rejeitos de minério que ainda existem na região atingida pelo rompimento da barragem do Fundão, que se rompeu em novembro de 2015.

A coluna apurou que os estudos técnicos contratados pelo grupo de negociação não foram conclusivos mas, mesmo assim, é necessário que uma escolha seja definida. A discussão envolve, exatamente, quanto rejeito tirar e de onde. Um interlocutor que participou das conversas da semana passada pontuou que existem argumentos razoáveis nas duas esferas, tanto para extrair os rejeitos quanto para deixar.

Não é a primeira discussão sobre a parte ambiental que trava a negociação. Antes, a inclusão da Bahia nas conversas, levada pelo ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia Rui Costa, também chegou a atrasar as reuniões. Na época, constatou-se que a região de Abrolhos, no sul do Estado, também havia sido atingida pelos rejeitos da barragem. As partes, depois, definiram que os recursos de reparação para a área seriam destinados via União, por meio do Ibama.

Participam das discussões representantes do governo de Minas, do Espírito Santo, da União, dos MP estaduais, MPF, AGU e, claro, as empresas Vale, BHP Billiton e Samarco.

O rompimento da barragem de Fundão deixou 19 pessoas mortas e um dano ambiental ainda incalculável.

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Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.