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“Ninguém larga a mão de ninguém”, diz Lula sobre volta da Venezuela ao Mercosul

Segundo o presidente brasileiro o bloco não deve isolar o país vizinho

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assume presidência do Mercosul
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assume presidência do Mercosul  • Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o retorno da Venezuela ao Mercosul, após receber a presidência do bloco das mãos do presidente argentino Alberto Fernandez. Durante a solenidade, em Puerto Iguazu, Lula condenou o isolamento da Venezuela e disse que é preciso encarar o problema. "Todos os problemas que a gente tiver de democracia a gente não se esconde dele a gente enfrenta eles, sabe. Eu não conheço pormenores do programa com a candidata na Venezuela", disse o presidente brasileiro, se referindo à cassação de María Corina Machado, principal opositora de Maduro para as eleições deste ano e que foi cassada por "problemas administrativos" do período em que era deputada. No Brasil, a oposição a Lula afirma que a candidata venezuelana foi vítima de perseguição e golpe.

Ninguém larga a mão de ninguém

"Eu acho que entre nós aqui, nós temos que conversar com todas as pessoas e tentar não deixar ninguém pra fora. Durante a minha campanha, a gente criou um lema, ninguém larga a mão de ninguém. Então a gente vai ter que estar junto pra sair junto. Nós queremos trazer outros países pro Mercosul", conclui o presidente brasileiro.

A Venezuela está suspensa do bloco por descumprimento de regras do grupo, como adoção de tarifa externa comum e respeito as instituições democráticas.

Nicarágua

O petista também disse que irá conversar, na próxima semana, com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. O chefe do executivo nicaraguense, que é apoiado pelos governos de Cuba e da Venezuela, vive em guerra com a cúpula da igreja caótica e é acusado de cometer ataques contra religiosos. A igreja, que é uma das poucas instituições independentes do país, é acusada pelo presidente de estar aliada a golpistas e fazer parte de grupos conspiratórios para tirá-lo do poder.

"Eu tive com o Papa Francisco agora e assumi o compromisso de falar com Daniel Ortega na próxima semana a respeito da disputa com setores da igreja", disse Lula argumentando que todos devem usar seus relacionamentos para mediação.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.