Itatiaia

Nikolas reforça críticas a Moraes por relação com Vorcaro: ‘Nunca tomei whisky com ele’

Deputado federal rebateu as revelações de um áudio que teria mandado para Vorcaro, ainda em 2025, pedindo ajuda para um ex-assessor; ele nega irregularidades

Por
Deputado federal Nikolas Ferreira (PL)
Deputado federal Nikolas Ferreira (PL) • Kayo Magalhaes / Câmara dos Deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reforçou suas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ao publicar um vídeo em que nega ter relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, nesta quinta-feira (3), após serem divulgados áudios em que ele pede ajuda para o ex-dono do Master.

Em uma publicação de quase oito minutos nas redes sociais, o parlamentar mineiro voltou a destacar que não recebeu dinheiro de Vorcaro e que apenas passou o contato de seu ex-assessor para que ele resolvesse uma pendência pessoal, apesar de não citar que o negócio envolvia um ativo minerário.

“Pode sair a mensagem que for, eu repito, não vai ter eu marcando de fumar charuto com ele, nem de ficar em festa com prostituta suíça (sic). Não vai me ter na lista de pagamentos do Vorcaro, não vai ter contrato feito com ele, nem com a minha esposa, e muito menos os meus filhos, serem beneficiados pelo Vorcaro”, disse.

No caso revelado nesta quinta pelo ICL Notícias, Nikolas pede ajuda em uma pendência de um ativo de mineração do seu ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria. Na mensagem, ele afirmou que gostaria de ter mais “proximidade” com Vorcaro, e o chama pelo apelido “Dani”.

Ainda no áudio, o deputado mineiro ressalta que o seu assessor é uma pessoa de confiança e, passa o contato do assessor para Daniel Vorcaro. O banqueiro chegou a responder a mensagem com um áudio de visualização única, o que impede o registro no histórico da conversa. O deputado responde: “Deus te abençoe e vamos estar juntos”.

Em sua resposta, Nikolas afirmou que o caso se trata de uma “narrativa e uma cortina de fumaça” para as revelações da relação entre o Vorcaro, autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outras instituições da República. Nessa terça-feira (2) veio à tona uma investigação da Polícia Federal (PF), apontando que Moraes foi consultado pelo banqueiro dois dias antes de ser preso em novembro de 2025.

“Deixa eu falar rasgado aqui: isso é sério. Acharam mesmo que vocês iriam conseguir convencer as pessoas de que eu sou tipo um Alexandre de Moraes ou que eu sou tipo um Paulo Gonet, eu sou tipo um Davi Alcolumbre, que ama ter a Suíça, as prostitutas em festa. Tá de sacanagem, né? Eu não faço parte dessa putaria de Brasília", disparou.

Evento em Londres

Em 2024, Nikolas teve um desconforto com Vorcaro que foi citado no áudio para Vorcaro. Na época, o dono do Banco Master estava organizando o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, com uma série de autoridades do governo Lula e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nikolas fez uma série de postagens questionando o custeio da viagem de ministros e membros do governo. Irritado com a situação, Vorcaro recorreu ao pastor André Valadão, da Igreja da Lagoinha, amigo em comum que fez o intermédio entre os dois. O deputado mineiro explicou que, em 2023, o líder religioso mandou o contato do empresário para ele.

“Nunca salve o contato com o nome que a pessoa mandou, porque o André Valadão me mandou o nome de Dani Vorcaro, e eu achei que o nome dele era Dani. (...) O áudio só me ajudou, sabe por quê? Eu falo que troquei ideia com o pastor Valadão sobre uma postagem pedindo esclarecimentos através da Lei de Acesso à informação sobre um evento bancado pelo Master, com ministro do STF, com ministro do STJ, com o diretor da PF. Ele falou que o ‘Dani’ não gostou, mas eu respondi: ‘não vou apagar, é o meu trabalho’”, disse.

Nikolas também respondeu ao fato de ter usado um jatinho particular de Vorcaro para fazer viagens em 2022, durante o segundo turno, e fazer campanha para o então presidente Jair Bolsonaro (PL) por nove estados. Nesse caso, ele afirma que não conhecia o empresário.

“Há quatro anos atrás, eu não tinha nenhum tipo de indício de que ele era criminoso, que fazia algo ilícito. Se ele se propôs a poder ajudar, o problema é dele. Se alguém quiser me ajudar com algum jatinho e não cometer crime daqui quatro anos, eu aceito”, declarou.

Por

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

Belo Horizonte