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MP junto ao TCU pede suspensão do reajuste do Bolsa Família anunciado por Lula

Representação apresentada questiona falta de previsão orçamentária, pede suspensão do decreto e levanta dúvidas sobre possível impacto eleitoral da medida; governo defende legalidade do reajuste e diz que valor é proporcional ao da inflação

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Governo Federal anuncia reajuste do Bolsa Família.
Governo Federal anuncia reajuste do Bolsa Família. • Lyon Santos/ MDS

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu nesta sexta-feira (18) a suspensão do reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A representação foi apresentada pelo subprocurador-geral do MPTCU, Lucas Rocha Furtado, que questiona a existência de previsão orçamentária para custear o aumento e pede a apuração de possíveis irregularidades.

Segundo o documento, o decreto editado pelo governo não apresenta estimativa do impacto financeiro da medida, não indica a fonte dos recursos e não demonstra compatibilidade com a Lei Orçamentária Anual (LOA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Plano Plurianual (PPA).

Para o subprocurador, a medida pode ter desrespeitado exigências previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal para a criação ou ampliação de despesas públicas.

O que questiona o Ministério Público

Na representação, Lucas Rocha Furtado também sustenta que o presidente da República pode ter extrapolado o poder regulamentar ao promover o reajuste por meio de decreto.

Segundo ele, o ato "não se limita a regulamentar" a lei que instituiu o novo Bolsa Família e acaba criando novas obrigações financeiras sem autorização legal específica.

O documento pede que o presidente Lula e os ministros que assinaram o decreto apresentem, em até 15 dias, esclarecimentos sobre a existência de recursos para custear o aumento.

Também solicita informações à Secretaria de Orçamento Federal e à Secretaria do Tesouro Nacional sobre a disponibilidade de dotação orçamentária para bancar a medida.

Além da investigação, o Ministério Público solicita uma medida cautelar para suspender imediatamente os efeitos do decreto. O argumento é que os novos pagamentos, previstos para começar em 1º de outubro, podem gerar despesas de difícil reversão caso o reajuste seja considerado irregular posteriormente.

A representação também afirma que a edição do decreto a poucos dias da eleição presidencial levanta dúvidas sobre um possível desvio de finalidade político-eleitoral, avaliação que ainda será analisada pelo Tribunal de Contas da União.

O que diz o governo

O governo federal afirma que o reajuste apenas recompõe a inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e não representa aumento real do benefício.

Com a medida, o piso do Bolsa Família passa de R$ 600 para R$ 691. O Benefício Primeira Infância sobe para R$ 173 por criança de até sete anos, enquanto o Benefício de Renda de Cidadania passa para R$ 164 por integrante da família.

Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, o impacto adicional será de R$ 5,8 bilhões neste ano. Para 2027, a estimativa é de um custo de aproximadamente R$ 22 bilhões.

O governo informou que pretende realocar recursos de despesas com previsão de sobra, principalmente da Previdência Social, para custear o reajuste. A Advocacia-Geral da União (AGU) também avaliou previamente a medida e concluiu que não há impedimento jurídico.

De acordo com a AGU, o decreto não cria um novo benefício nem altera as regras do programa, apenas atualiza os valores de uma política pública já existente, conforme autorização prevista na legislação do Bolsa Família.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

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