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Motta freia avanço da escala 6x1 e pede debate maior na Câmara

Proposta será analisada via PEC, com maior rigor e necessidade de articulação política

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Câmara evita pressa e condiciona mudança na jornada a consenso • Câmara doa Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou nesta terça-feira (17) que a proposta de mudança na escala de trabalho 6x1, não terá tramitação acelerada no Congresso. Segundo ele, o tema exige um debate amplo, técnico e com participação direta dos setores impactados antes de qualquer avanço legislativo.

Motta destacou que a decisão de conduzir a discussão por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) não foi casual, mas uma estratégia para ampliar o tempo de debate e aumentar o nível de exigência para aprovação: "Não vamos conduzir esse debate de maneira atropelada, sem medir as consequências”, afirmou.

Estratégia: elevar o custo político da aprovação

Ao defender a tramitação via PEC, o presidente da Câmara, na prática, eleva a dificuldade de aprovação da medida. Diferentemente de um projeto de lei, a proposta exige maior articulação política, quórum qualificado e consenso mais amplo entre os parlamentares.

Motta reconheceu que há uma demanda legítima da sociedade por redução da jornada de trabalho, mas condicionou qualquer mudança à capacidade real da economia de absorver os impactos: “O que precisamos entender é como o país vai absorver essa redução de jornada”, disse.

Cada vez mais tem aumentado o debate sobre qualidade de vida e novas formas de trabalho, impulsionadas por avanços tecnológicos e mudanças no mercado. Por outro lado, setores como indústria, comércio e serviços demonstram preocupação com aumento de custos e perda de produtividade.

Na fala, Motta tenta equilibrar esses dois polos: valida a discussão, mas trava qualquer avanço sem estudo de impacto. Ele defendeu que os setores mais afetados levem dados concretos ao Congresso, indicando custos, riscos e possíveis efeitos práticos da mudança.

Outro ponto foi a defesa de um modelo de transição, caso a mudança avance. A ideia é evitar rupturas bruscas e permitir adaptação gradual dos setores que ainda operam no modelo 6x1. Segundo Motta, parte da economia já adota jornadas reduzidas, o que abre espaço para discutir a viabilidade da mudança, desde que respeitadas as diferenças entre os setores.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.