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Moraes questiona Cid sobre envolvimento de Câmara contra urnas eletrônicas

A mando de Bolsonaro, coronel ajudou a levar hacker e deputada à Defesa, fez levantamentos de aliados e sabia de estratégia para gravar Moraes, afirma Cid

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O novo ministro da Educação, Cid Gomes (PROS), falou na manhã desta segunda-feira, em entrevista à TV Globo, sobre os projetos da pasta neste segundo mandato de Dilma Rousseff.
Mauro Cid e ministro Alexandre de Moraes • Foto: José Cruz/Agência Brasil

Durante a continuidade da audiência desta segunda-feira (14), o ministro Alexandre de Moraes passou a interrogar Mauro Cid sobre o papel do coronel Marcelo Costa Câmara, também réu no processo.

Segundo Cid, o coronel teria auxiliado no encaminhamento de dois personagens centrais nas denúncias de ataques ao sistema eleitoral: o hacker Walter Delgatti Neto e a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). Ambos procuraram o então presidente Jair Bolsonaro com alegações sobre supostas falhas nas urnas eletrônicas. De acordo com o depoente, foi por ordem direta de Bolsonaro que os dois foram enviados ao Ministério da Defesa.

Mauro Cid declarou não saber se o coronel Câmara acompanhou pessoalmente Delgatti e Zambelli, mas afirmou que ele "ajustou a logística" para viabilizar o contato da dupla com a Defesa.

Moraes então mencionou a existência de trocas de mensagens entre Cid e Câmara, pedindo explicações sobre o conteúdo. Cid respondeu que, em uma das conversas, questionava o coronel a pedido do presidente sobre um suposto encontro entre Bolsonaro e o então vice-presidente Hamilton Mourão, em São Paulo.

Segundo o ex-ajudante de ordens, Câmara também atuava fazendo levantamentos sobre pessoas que seriam nomeadas pelo governo, com base em dados pessoais, uma espécie de “checagem prévia” dos nomes.

O ministro Moraes perguntou ainda como Câmara teria tido acesso a dados de deslocamento de ministros do STF, inclusive dele próprio. Cid disse que “ouviu falar” que havia um juiz atuando internamente no TSE que repassava informações, mas não soube confirmar a identidade. O foco das informações, segundo ele, era relacionado a movimentações e dados sobre urnas, com o objetivo de encontrar indícios de fraudes eleitorais.

Por fim, Moraes relembrou que Cid havia relatado uma reunião entre Bolsonaro, o ex-deputado Daniel Silveira e outros parlamentares, na qual foi discutida a possibilidade de gravar ilegalmente conversas do ministro do STF. Cid confirmou o encontro e disse acreditar que o coronel Câmara participou da reunião que definiu a estratégia. Mesmo que não estivesse presente, o coronel teria comentado o assunto com ele posteriormente.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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