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Ministros descartam saída de Prates da Petrobras e admitem possibilidade de revisão sobre pagamento dos dividendos

Reunião entre Lula, ministros e alto escalão da Petrobras durou cerca de três horas; estatal mergulhou em crise na semana passada e perdeu R$ 55 bilhões em valor de mercado

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Presidente da Petrobras foi demitido por Lula após desgastes com o governo • Tomaz Silva | Agência Brasil

A saída de Jean Paul Prates da presidência da Petrobras é especulação, segundo afirmou o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, nesta segunda-feira (11), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diretores da estatal e os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Rui Costa, da Casa Civil. Ao longo de cerca de três horas, a crise que atravessa a Petrobras e derrubou em R$ 55 bilhões o valor de mercado da estatal esteve na pauta.

Silveira e Haddad falaram à imprensa no Ministério da Fazenda no início da noite. Os ministros não descartaram a possibilidade de os dividendos extraordinários, pivôs da crise, serem pagos ao acionistas em ocasião futura.

Ações da Petrobras despencaram, e empresa perdeu R$ 55 bilhões em valor de mercado

As ações da estatal despencaram até 13% na quinta-feira passada (7) após a publicação do balanço financeiro de 2023. A diretoria do grupo optou por não pagar os dividendos extraordinários, e a retenção mesclada ao pagamento do valor mínimo dos dividendos — 45% do fluxo de caixa livre — frustrou o mercado. Com a derrubada nos preços das ações, a Petrobras perdeu R$ 55 bilhões em valor de mercado.

A tensão se agravou após a colunista Malu Gaspar detalhar em O Globo que o presidente Lula teria interferido diretamente na disputa sobre o pagamento dos dividendos extraordinários em apoio ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O presidente da Petrobras e a diretoria aliada teriam sugerido a distribuição de 50% dos dividendos extraordinários aos acionistas da estatal. Em contrapartida, o grupo de Silveira teria optado por segurar os recursos em uma reserva; por ter maioria, os aliados do ministro predominaram com decisão reiterada pelo próprio presidente.

Lula refuta reação do mercado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) refutou, nesta segunda-feira (11), a reação do mercado à decisão da Petrobras de não pagar os dividendos extraordinários aos acionistas. O petista defendeu que a petroleira use a cifra bilionária em investimentos na estatal e atacou diretamente o mercado financeiro, classificando-o como um devorador.

"O mercado é um rinoceronte, um dinossauro voraz. Ele [mercado] quer tudo pra ele e nada para o povo. Será que o mercado não tem pena das pessoas que passam fome? Será que o mercado não tem pena das 735 milhões de pessoas que não têm o que comer? Será que o mercado não tem pena das pessoas que dormem na sarjeta no centro de São Paulo, no do Rio de Janeiro? Será que o mercado não tem pena das meninas com 12, 13 anos que vendem o corpo por causa de um prato de comida?", indagou em declaração ao apresentador César Filho, do SBT. A entrevista na íntegra ainda irá ao ar nesta segunda-feira à noite.

Citando diretamente os dividendos extraordinários, Lula ponderou que não há razão para a estatal distribuir a cifra aos acionistas. "O que não é correto é a Petrobras, que tinha que distribuir R$ 45 bilhões em dividendos, querer distribuir R$ 80 bilhões", afirmou. "São R$ 40 bilhões a mais que poderiam ter sido colocados para investimento, pesquisas, navios, sondas... Não foi feito", criticou.

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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.