Ministro Alexandre de Moraes contesta crítica de Gleisi Hoffman à justiça eleitoral: 'total desconhecimento'
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rebateu críticas da presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Alexandre de Moraes desaprovou as críticas feitas pela presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, sobre a Justiça Eleitoral durante a comissão que discutia a PEC da Anistia nessa quarta-feira (20), na Câmara dos Deputados. Através de nota publicada nesta quinta-feira (21) à tarde, o ministro contestou os comentários e refutou as críticas da parlamentar. "O Tribunal Superior Eleitoral repudia afirmações errôneas e falsas realizadas no intuito de tentar impedir ou diminuir o necessário controle dos gastos de recursos públicos realizados pelos partidos políticos", escreveu.
"Lamentavelmente, a própria existência da Justiça Eleitoral foi contestada por presidente de partido político, fruto do total desconhecimento sobre sua importância, estrutura, organização e funcionamento", acrescentou Moraes sem citar Gleisi Hoffmann nominalmente. Nos cinco parágrafos restantes do documento de duas páginas, o ministro listou os feitos da Corte Eleitoral no Brasil — número de servidores, cadastramento biométrico e agilidade na divulgação dos resultados dos pleitos.
Na comissão para votação da PEC da Anistia, a presidente nacional do PT e deputada Gleisi Hoffmann defendeu o fim da Justiça Eleitoral no Brasil e disse que os tribunais "aplicam penas inexequíveis, que não são pedagógicas e inviabilizam os partidos". "Não pode haver uma Justiça Eleitoral. É um absurdo que custa três vezes mais do que o financiamento de campanha. Uma multa precisa ser pedagógica. A multa tem que trazer sanção política", argumentou.
Justificativa. A declaração de Gleisi repercutiu mal no meio político, e no início da tarde ela se propôs a esclarecer o comentário feito na sessão da PEC da Anistia. A presidente do PT escreveu em suas redes sociais que o funcionamento da Justiça Eleitoral 'está sujeito ao escrutínio da sociedade, como o de qualquer instituição' e listou as críticas feitas: 'multas extravagantes' aplicadas pelos tribunais eleitorais, o custo da própria Justiça Eleitoral e a 'intervenção indevida dos órgãos técnicos sobre a autonomia dos partidos políticos'.
"Estas foram as críticas que fiz no sentido de abrir o debate para que tudo seja aperfeiçoado, embora minha fala tenha dado margem a interpretações em outro sentido", escreveu. "Não tentem nos igualar aos que atacam a democracia e têm medo de eleições", concluiu.
Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.
