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Lula volta à Abreu e Lima 19 anos após início do projeto, injetando US$ 17 bi e prometendo 30 mil empregos

Conclusão das obras na refinaria em Pernambuco pode quase triplicar a capacidade de produção, prevê Petrobras

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Setembro de 2005. Presidentes Hugo Chávez e Lula na cerimônia de lançamento do programa para construção da refinaria Abreu e Lima • Vanderlei Almeida | AFP

A ida de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, marca o reencontro do presidente com o projeto que plantou no terceiro ano de seu primeiro mandato e que dez anos depois, em 2015, se converteria em uma das peças-centrais do escândalo de corrupção revelado pela Lava Jato. Agora, nove anos após a paralisação das obras e em meio a especulações sobre a negociação da refinaria nos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), o presidente Lula — 19 anos mais velho do que quando assinou o contrato em 2005 — injetará um investimento de US$ 17 bilhões para concluir as obras da Abreu e Lima. A ampliação da refinaria consta no pacote de obras do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado por Lula no ano passado.

De principal aposta da relação Brasil-Venezuela a peça no escândalo da Lava Jato

Um encontro com o presidente da Venezuela, à época Hugo Chávez, selou o início das obras da refinaria Abreu e Lima — refinaria do Nordeste, como é nomeada pela Petrobras — em Ipojuca. A construção nasceu de um acordo entre o Brasil e a PDVSA, estatal da Venezuela que responderia por 40% da refinaria. Entretanto, o acordo firmado em 2005 nunca saiu do papel, e coube à Petrobras a responsabilidade integral pela construção.

As operações da refinaria começaram apenas nove anos depois, em 2014, com o primeiro conjunto de unidades (Trem I). No ano seguinte, 2015, as operações foram paralisadas com o escândalo da operação Lava Jato. À época da sentença sobre o caso, o então juiz federal Sergio Moro — hoje senador pelo União Brasil — afirmou que o presidente Lula recebeu vantagens indevidas da OAS, empreiteira que participou do consórcio de construção da refinaria, contratado pela Petrobras. A decisão em relação a Lula, entretanto, foi anulada depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou Moro parcial.

Após o escândalo e com a paralisação das obras, os governos que sucederam a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) se propuseram a negociar a refinaria, e Jair Bolsonaro até autorizou a retomada das obras para concluir o projeto e aumentar o valor de venda. Entretanto, com a troca no governo, Lula optou por manter a refinaria que será incluída no programa de transição energética brasileiro.

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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.