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Lula refuta reação do mercado e defende que dividendos extraordinários sejam usados como investimento

Petrobras perdeu R$ 55 bilhões em valor de mercado após decisão de reter os dividendos extraordinários

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Em meio à crise na Petrobras, Lula recebeu o presidente da estatal, Jean Paul Prates, no Palácio do Planalto • Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) refutou, nesta segunda-feira (11), a reação do mercado à decisão da Petrobras de não pagar os dividendos extraordinários aos acionistas. O petista defendeu que a petroleira use a cifra bilionária em investimentos na estatal e atacou diretamente o mercado financeiro, classificando-o como um devorador.

"O mercado é um rinoceronte, um dinossauro voraz. Ele [mercado] quer tudo pra ele e nada para o povo. Será que o mercado não tem pena das pessoas que passam fome? Será que o mercado não tem pena das 735 milhões de pessoas que não têm o que comer? Será que o mercado não tem pena das pessoas que dormem na sarjeta no centro de São Paulo, no do Rio de Janeiro? Será que o mercado não tem pena das meninas com 12, 13 anos que vendem o corpo por causa de um prato de comida?", indagou em declaração ao apresentador César Filho, do SBT. A entrevista na íntegra ainda irá ao ar nesta segunda-feira à noite.

Ações da Petrobras despencaram, e empresa perdeu R$ 55 bilhões em valor de mercado

As ações da estatal despencaram até 13% na quinta-feira passada (7) após a publicação do balanço financeiro de 2023. A diretoria do grupo optou por não pagar os dividendos extraordinários, e a retenção mesclada ao pagamento do valor mínimo dos dividendos — 45% do fluxo de caixa livre — frustrou o mercado. Com a derrubada nos preços das ações, a Petrobras perdeu R$ 55 bilhões em valor de mercado.

A tensão se agravou após a colunista Malu Gaspar detalhar em O Globo que o presidente Lula teria interferido diretamente na disputa sobre o pagamento dos dividendos extraordinários em apoio ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O presidente da Petrobras e a diretoria aliada teriam sugerido a distribuição de 50% dos dividendos extraordinários aos acionistas da estatal. Em contrapartida, o grupo de Silveira teria optado por segurar os recursos em uma reserva; por ter maioria, os aliados do ministro predominaram com decisão reiterada pelo próprio presidente.

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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.