Lula indica que número 2 da Abin pode ser demitido: ‘não há clima’
Alessandro Morretti, citado pela PF por supostamente atuar em conluiu com Ramagem, deve ser exonerado do cargo nos próximos dias

O presidente Lula disse nesta terça-feira (30) que estuda mudanças na direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e que ‘não há clima’ para a permanência do número 2 da Abin no cargo, o diretor-adjunto Alessandro Moretti. As prováveis mudanças são resultado de uma investigação da Polícia Federal que apura um núcleo de espionagem ilegal montando dentro da Abin entre 2019 e 2021, quanto a agência era chefiada por Alexandre Ramagem, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em entrevista à CBN Recife, Lula disse que é fundamental garantir o direito de defesa a Moretti, mas indicou que ele deverá ser demitido do cargo. O diretor-adjunto é apontado pela Polícia Federal como um dos colaboradores de Ramagem após o ex-diretor deixar o governo e se eleger para o cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
“Dentro da equipe dele tinha um cidadão que mantinha relação com o Ramagem, inclusive que permaneceu já durante o trabalho dele na Abin. Ora, se isso for verdade, não há clima para esse cidadão continuar na polícia. Mas antes de você fazer a condenação a priori, é importante que a gente investigue corretamente, que a gente apure, que a gente garanta o direito de defesa”, disse Lula.
Pesam contra Moretti dois fatores: um deles é a citação nominal em um dos relatórios da PF que apontam a suspeita de conluio entre a atual gestão da Abin e investigados no esquema de monitoramento ilegal de autoridades sob Bolsonaro.
Outro fator é o histórico de Moretti,que é ex-braço direito de Anderson Torres - secretário de Justiça no governo Bolsonaro. O atual número 2 da Abin atou como secretário-executivo da Segurança Pública do DF entre 2019 e 2021, na primeira gestão de Torres — que foi preso sob acusação de omissão nos ataques golpistas de 8 de janeiro.
Sobre a direção da agência, o presidente reforçou que tem confiança em Luiz Fernando Correa, diretor da Abin e que chegou a chefiar a Polícia Federal no segundo mandato do petista no Palácio do Planalto. “É uma pessoa que eu tenho muita confiança e por isso que o chamei, já que eu não conhecia ninguém dentro da Abin. E esse companheiro montou a equipe dele”, justificou.
Questionado se teria confiança no serviço prestado pela Abin, Lula foi curto ao responder: “A gente nunca está seguro”, disse.
Na segunda-feira (29), a PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão em uma nova etapa da operação ‘Vigilância Aproximada’, que apura o monitoramento ilegal de autoridades durante a gestão do ex-diretor-geral Alexandre Ramagem, que chefiou o órgão no governo Bolsonaro.
Entre os alvos estava o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (Republicanos), que é filho do ex-presidente. Agentes da PF estiveram no gabinete do vereador na Câmara Municipal do Rio, em sua residência na Barra da Tijuca e na casa da família em Angra dos Reis, onde Carlos estava com o pai e os irmãos. No local, os policiais apreenderam dois celulares e um computador.
A PF investiga se Carlos recebeu informações que teriam sido apuradas pelo esquema clandestino de escuta sobre investigações que miravam sua família.
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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



