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Lula diz que Brasil buscará novos mercados após tarifaço dos EUA

Em reunião ministerial, petista diz que país procurará novos compradores e reforça discurso de soberania

Por, Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião ministerial nesta terça-feira (31), no Palácio do Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião ministerial nesta terça-feira (31), no Palácio do Planalto • Cadu Gomes/VPR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil buscará novos parceiros comerciais caso os Estados Unidos mantenham as tarifas anunciadas contra produtos brasileiros. Em discurso durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, o petista disse que o país não ficará dependente do mercado americano e prometeu reagir à medida ampliando relações comerciais com outros países.

A declaração ocorre em meio à escalada das tensões entre Brasília e Washington após o governo de Donald Trump anunciar uma nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros e ampliar as críticas à política comercial do país.

Sem citar possíveis retaliações, Lula afirmou que o governo está disposto a procurar novos compradores para as exportações brasileiras e novos investidores para projetos no país.

Se os Estados Unidos querem problema, eles têm o direito de querer. Agora, nós não vamos ficar chorando. Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente

 

Na mesma fala, Lula afirmou que o Brasil não abrirá mão da soberania nacional em negociações com potências estrangeiras e reforçou que o governo pretende adotar uma postura mais firme na defesa dos interesses brasileiros.

"O que tem que saber é que o Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano e, por conta dessa soberania, nós faremos tudo o que for necessário. Não cederemos", declarou.

O presidente também aproveitou a reunião para endurecer o discurso sobre a exploração de recursos minerais considerados estratégicos, como terras raras e minerais críticos, cada vez mais disputados pelas grandes potências por sua utilização em tecnologias avançadas e na transição energética.

Segundo Lula, qualquer iniciativa envolvendo esses recursos deverá passar pelo governo brasileiro.

"Quem quiser explorar terra rara daqui vai ter que falar com o governo brasileiro. Quem quiser explorar minerais críticos vai ter que conversar com o governo brasileiro", afirmou.

O petista disse ainda que o país não repetirá práticas que, segundo ele, historicamente beneficiaram interesses estrangeiros em detrimento da economia nacional.

"Acabou aquela história de levar todo o nosso ouro para fora e a gente ganhar menos do que deveria ganhar com isso", declarou.

 

As declarações foram feitas na abertura da segunda reunião ministerial do ano. Além de alinhar a atuação do governo antes do início das restrições do calendário eleitoral, o encontro tem servido para consolidar a estratégia do Planalto diante da crise diplomática com os Estados Unidos.

Ao longo do discurso, Lula afirmou que o Brasil continuará buscando diálogo com Washington, mas rejeitou qualquer sinal de submissão nas negociações comerciais.

"Nós não somos melhores do que ninguém, mas também não somos piores. Nós queremos respeitar todo mundo, mas nós também queremos respeito", disse.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio