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Guimarães acusa Mendonça de intromissão e vê viés eleitoral em afastamento de Andrei

PorBrasília
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães • Gil Ferreira/SRI

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, criticou nesta terça-feira (8) a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Em uma publicação nas redes sociais, Guimarães classificou a medida como “descabida” e “uma intromissão onde não lhe cabe”. O ministro também afirmou que a decisão pode ter motivação eleitoral e cobrou uma reação do Supremo.

“Ninguém está acima da lei”, escreveu Guimarães. Segundo ele, a apuração de eventuais indícios de delitos é legítima, mas o afastamento do chefe da Polícia Federal “cheira como eleitoral”.

A manifestação de Guimarães ocorreu antes de um posicionamento oficial do governo Lula sobre a decisão. A Advocacia-Geral da União prepara um recurso e deve argumentar que o afastamento do diretor-geral da PF é uma atribuição exclusiva do presidente da República.

A decisão de Mendonça também atingiu o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada. O ministro determinou ainda a abertura de procedimentos pela corregedoria da corporação.

A Segunda Turma do STF formou maioria nesta terça para manter o afastamento de Andrei Rodrigues. Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques anteciparam os votos e acompanharam integralmente o entendimento de Mendonça.

O julgamento, porém, foi interrompido depois que o ministro Gilmar Mendes pediu vista. Mesmo assim, a determinação de afastamento imediato continua em vigor. O delegado William Marcel Murad assumirá temporariamente o comando da Polícia Federal.

A decisão de Mendonça aprofundou a crise entre integrantes do STF e aumentou a tensão entre o governo Lula e o ministro. O governo avalia que a medida interfere na competência do presidente para nomear e afastar o diretor-geral da Polícia Federal e pretende contestá-la judicialmente.

A reação de Guimarães se soma a manifestações de outros integrantes da base governista. Parlamentares acusaram Mendonça de interferência política e relacionaram o afastamento de Andrei às eleições presidenciais de outubro.

O episódio ocorre em meio a uma crise mais ampla no Supremo, envolvendo divergências entre Mendonça e Alexandre de Moraes e investigações relacionadas ao Banco Master, à Polícia Federal e ao empresário Daniel Vorcaro.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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