Gratificação a servidores do fisco volta a ser debatida, e governo corre contra o relógio
O texto superou a Comissão de Administração Pública (APU) e teve o parecer distribuído em avulso na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO), o que leva a discussão para a terça-feira (31)

O Projeto de Lei (PL) 5.234/2026, que prevê a regulamentação das gratificações para carreiras da Secretaria de Fazenda, avançou na Assembleia Legislativa após uma segunda-feira (30) de percalços na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O texto superou a Comissão de Administração Pública (APU) e teve o parecer distribuído em avulso na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO), o que leva a discussão para a terça-feira (31) com promessa de um novo dia de negociações e o relógio correndo contra o governador Mateus Simões (PSD).
O PL 5.234/2026 está no centro de uma celeuma na Assembleia desde a última semana. O texto regulamenta as gratificações de estímulo à produção individual (GEPI) e de desempenho individual (GDI) e vincula o reajuste do pagamento anualmente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esses incrementos aos vencimentos a auditores fiscais, gestores fazendários, técnicos e analistas de Administração e Finanças podem simbolizar um aumento de até quatro vezes o definido como salário base das carreiras.
Sem a aprovação do projeto, servidores do fisco podem ficar sem o reajuste das gratificações que representam até três quartos de seus vencimentos e não descartam uma paralisação da área vital para o funcionamento da Fazenda. O tempo é um dos dificultadores para o sucesso do projeto enviado à Assembleia ainda pelo governador Romeu Zema (Novo). A partir de sábado, o calendário passa a contar menos de seis meses até as eleições de outubro e a Justiça impede a sanção de leis que majoram o salário de servidores dentro deste período.
Outro ponto é a apresentação de emendas pela oposição que querem incluir outras áreas do funcionalismo no projeto. Lucas Lasmar (Rede), por exemplo, apresentou emendas que regularizam o pagamento dos plantões dos servidores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) ao texto. As propostas foram rejeitadas nas comissões até aqui, mas serão reapresentados na FFO e em plenário.
A reivindicação de valorização de outras categorias se baseia na crítica ao que é tratado como favorecimentos a determinadas carreiras em detrimento de outras. Os servidores do fisco estão entre os mais bem pagos do funcionalismo público mineiro e, como mostrou a Itatiaia, representam cerca de 90% dos que receberam recorrentemente acima do teto para servidores em 2025.
A preocupação do governo é de que a oposição apresente emendas ao projeto durante a votação em plenário em 1° turno, o que obrigaria o retorno do texto às comissões e impediria que todo o trâmite seja finalizado nesta semana.
Membro da base governista e relator do PL 5.234/2026 na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, o deputado Zé Guilherme (PP) aposta em uma aprovação do projeto com votações em plenário em dois turnos na quarta (1) e quinta-feira (2).
Negociação direta
Como adiantado pela Itatiaia, o secretário de Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, esteve na Assembleia no início da tarde e recebeu as propostas da oposição para incluir servidores da Saúde e Meio Ambiente no texto.
Os deputados, tanto da base como da oposição, passaram a tarde inteira sem uma resposta de Gomes e do governador Simões sobre a viabilidade orçamentária de acatar as emendas. A FFO retoma seus trabalhos às 14h de terça-feira e o intervalo entre a sessões nesta noite e na próxima manhã devem ser de tentativa de contato entre a Assembleia e a Cidade Administrativa.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



