Diferença de tempo de TV entre Lula e Flávio é a segunda menor desde 2010
Flávio Bolsonaro (PL) terá menos tempo de TV que Lula (PT) na propaganda eleitoral gratuita, mas a diferença é apenas 1 minuto e 12 segundos

Os candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terão tempos distintos na propaganda eleitoral gratuita na televisão, com uma diferença de 1 minuto e 12 segundos em favor do petista. Flávio Bolsonaro, que encerrou o período de fechamento de coligações sem nenhum apoio, dependerá exclusivamente da bancada de seu partido no Congresso Nacional para a distribuição do tempo, somando 4 minutos e 20 segundos. Já Lula deve dispor de aproximadamente 5 minutos e 32 segundos, segundo estimativas.
A diferença de 1 minuto e 12 segundos entre os candidatos representa a segunda menor disparidade entre um concorrente do Partido dos Trabalhadores (PT) e o principal opositor da direita desde as eleições de 2010. Naquele ano, a então presidente Dilma Rousseff (PT) venceu José Serra (PSDB) no segundo turno.
O tempo de televisão é definido pela representatividade dos partidos no Congresso Nacional. O cálculo considera o número de deputados e senadores de cada legenda, somado a 10% do tempo total que é dividido igualitariamente entre todos os candidatos.
Desde a primeira vitória do Partido dos Trabalhadores (PT), em 2002, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) formou grandes coligações para consolidar sua rivalidade partidária nas eleições. Em 2014, o PSDB alcançou o maior número de partidos aliados, embora tenha perdido tempo de TV. Historicamente, Luiz Inácio Lula da Silva sempre acumulou menos tempo de propaganda eleitoral em disputas contra o PSDB.
Os dados utilizados no levantamento foram disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Todos os números apresentados referem-se ao cenário de primeiro turno. Em um eventual segundo turno, ambos os candidatos receberiam 50% do tempo total de forma igualitária.
Uma queda expressiva no tempo disponível ocorreu entre as eleições de 2014 e 2018, resultado da Reforma Eleitoral aprovada em 2015. Antes das alterações, o tempo total era de 50 minutos, dividido em dois blocos diários. Após a reforma na legislação, o total da propaganda eleitoral foi reduzido para 20 minutos, mantendo o formato de dois blocos.
Além disso, os candidatos podem veicular outro bloco de propaganda eleitoral ao longo da programação, por meio de inserções – pequenas pílulas que variam de 30 a 60 segundos. Essa modalidade também segue as regras de cálculo de proporcionalidade de bancadas.
Apesar da percepção de que o "tempo de TV" é um fator crucial nas eleições, a história recente apresenta exceções. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad (PT) com apenas 8 segundos de exposição. No mesmo pleito, Geraldo Alckmin (então no PSDB), que detinha o maior tempo de tela com 5 minutos e 32 segundos, obteve apenas 4,76% dos votos.
O Partido Liberal (PL), comandado por Valdemar Costa Neto, optou por uma campanha "solo" nas eleições de outubro. Após semanas em busca de um vice para compor a chapa presidencial, Flávio Bolsonaro enfrentou uma série de recusas e, por fim, anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu companheiro de chapa.
Mesmo isolado, assim como a maioria dos outros candidatos à Presidência, Flávio Bolsonaro possui o segundo maior tempo de tela geral, sendo o líder entre os postulantes da direita e centro-direita.
Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou a tabela de representatividade dos partidos. Essa lista serve como base para o cálculo do tempo de propaganda de cada candidato e orientará os conteúdos produzidos pelas legendas, que serão veiculados entre 28 de agosto e 1º de outubro.
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