Governo nega influência eleitoral em reajuste do Bolsa Família para 2027
Governo afirma que reajuste de 15,04% recompõe perdas inflacionárias e nega motivação eleitoral; benefício mínimo sobe para R$ 691 em outubro, com impacto estimado de R$ 22 bilhões nas contas públicas em 2027

Depois do reajuste de 15,04% anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que elevou o benefício mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, o Governo Federal negou que a ação seja uma medida eleitoreira. A medida começa a valer em 19 outubro de 2026, exatamente entre o primeiro e o segundo turno das eleições, tendo impacto estimado de R$ 5,8 bilhões ainda neste ano e de R$ 22 bilhões em 2027.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a medida corresponde à reposição da inflação acumulada desde o início do programa até agosto de 2026. Segundo ele, o aumento está autorizado pela legislação do Bolsa Família e será acomodado dentro do espaço fiscal disponível.
Moretti também declarou que o governo não tinha condições de incluir o reajuste na proposta orçamentária apresentada em agosto porque ainda precisava confirmar a disponibilidade de recursos. A equipe econômica sustenta que novas informações sobre o espaço fiscal permitiram a mudança.
Reajuste ocorre na reta final do primeiro turno
Além disso, o anúncio foi feito 17 dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. O benefício médio pago às famílias também será reajustado, passando de R$ 675 para R$ 777. A medida alcança aproximadamente 19,3 milhões de famílias beneficiárias do programa.
Dados apresentados em pesquisas recentes mostram que cerca de 70% dos beneficiários do Bolsa Família declaravam intenção de votar em Lula no fim de junho, percentual que teria caído para aproximadamente 50% em setembro.
O fato é que o custo estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões em 2026, a partir da folha de outubro, e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027. A proposta de Orçamento do próximo ano, que inicialmente não previa o reajuste, precisará ser ajustada para incorporar a despesa.
A justificativa oficial é que a correção preserva o poder de compra das famílias beneficiárias. O reajuste ainda ocorre durante a tramitação do Orçamento de 2027 no Congresso Nacional.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



