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Flávio Bolsonaro nega ligação com 'Sicário' de Daniel Vorcaro após foto vir à tona

A imagem, revelada pelo ICL Notícias, exibe o político com o cúmplice do banqueiro Daniel Vorcaro em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro, em 2022

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ICL/Reprodução

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se manifestou após a divulgação de uma foto ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", ocorrida nesta quarta-feira (15). A imagem, revelada pelo ICL Notícias, exibe o político com o cúmplice do banqueiro Daniel Vorcaro em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro, em 2022.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro questionou a autenticidade da imagem, imputando a divulgação a "blogs de esquerda". Ele declarou que, caso a foto seja verdadeira, trata-se de "mais uma das várias que tiro todos os dias". O senador argumentou que é impossível conhecer todas as pessoas que solicitam um registro, uma vez que "todo mundo pede para tirar foto".

“Eu não sei se é verdade, né? Se for verdade, certamente é mais uma das várias que eu tiro todos os dias, porque, graças a Deus, por onde eu ando, todo mundo pede para tirar foto, tem um carinho enorme pela gente, manda mensagem de confiança, que a gente precisa resgatar o Brasil. Então, graças a Deus, eu sou muito bem recebido por onde eu passo, tiro foto com todo mundo que me pede. Eu não tenho como saber quem é aquela pessoa que tá tirando foto comigo, né?”, declarou.

O pré-candidato também aproveitou o vídeo para atacar seu rival político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comparando o episódio ao mandatário, que fez uma foto ao lado da influenciadora Deolane Bezerra na campanha de 2022. Deolane está presa atualmente, acusada de atuação junto ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Por meio de nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro reiterou o posicionamento do senador. O texto oficial destaca que "o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos. Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória".

O portal ICL Notícias informou que, em parceria com o Centro Latino-americano de Investigación Periodística (CLIP), realizou a verificação da imagem. Foram utilizadas cinco ferramentas de detecção (Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer) para checar se havia indícios ou marcas d'água de que a foto seria gerada por inteligência artificial (IA).

A reportagem do ICL afirmou não encontrar nenhum indício de que a fotografia tivesse sido criada com alguma IA generativa. Além disso, a ferramenta de verificação InVID também foi empregada, e nela não foi possível encontrar sinais de que a imagem tenha sido manipulada ou de que seja uma montagem.

De acordo com o portal, foram analisadas as sombras das mãos e os reflexos nos óculos escuros de ambos os retratados, indicando que estariam sendo iluminados pelas mesmas fontes de luz.

A divulgação da foto entre Flávio Bolsonaro e "Sicário" ocorreu dois meses após o vazamento de conversas entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro. Nas mensagens, o senador solicitava cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme "Dark Horse", que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro confirmou ter pedido dinheiro ao ex-dono do Banco Master, afirmando: "era um filho procurando patrocínio".

Em entrevista à CNN Brasil à época, Flávio Bolsonaro afirmou que o dinheiro solicitado ao ex-dono do Banco Master foi "100% investido no filme".

O senador também declarou que Vorcaro realizou um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Conforme Flávio Bolsonaro, as relações entre ele e Vorcaro foram encerradas a partir do momento em que os pagamentos deixaram de ser honrados.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", morreu em 6 de março após atentar contra a própria vida, enquanto estava sob custódia da Polícia Federal (PF) no dia 4 de março. O cúmplice de Daniel Vorcaro ainda ficou internado no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, na Região Centro-Sul, mas não resistiu.

Nas investigações da Polícia Federal, foi constatada a existência de um grupo denominado "A Turma", do qual Vorcaro e Mourão faziam parte.

Segundo a PF, "Sicário" era responsável pela "coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo".

A corporação aponta que Mourão realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.

Conforme a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), e até mesmo de organismos internacionais, como FBI e Interpol.

Mourão também teria atuado em ações voltadas para a remoção de conteúdos e perfis em plataformas, com o objetivo de obter dados de usuários ou tirar de circulação possíveis críticas ao grupo. Ele ainda teria papel de coordenação e mobilização das equipes responsáveis pelas ações da organização.

A PF diz ainda que Mourão também atuava para intimidar antigos funcionários do Banco Master e levantar dados sobre essas pessoas.

Em uma das situações, "Sicário" estaria envolvido em uma conversa com Vorcaro na qual o banqueiro pedia para organizar um assalto e "dar um pau" no jornalista Lauro Jardim, de O Globo.

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