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Flávio Bolsonaro diz que tarifas dos EUA dariam 'vitória política' a Lula

O ministro Mauro Vieira, por sua vez, defendeu o país contra as acusações de práticas comerciais que podem levar a tarifas de 25%

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Flávio Bolsonaro • courtney reed @courtlynnreed

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em documento enviado nesta quarta-feira (1º) aos Estados Unidos, que a continuidade das taxas impostas ao Brasil representaria uma "vitória política" para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também enviou uma defesa final do governo do presidente Lula no processo que pode culminar na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos.

O documento de Flávio Bolsonaro recomenda que a gestão de Donald Trump suspenda a medida proposta e abra imediatamente negociação bilateral nas áreas influenciadas pela imposição das taxas.

"As tarifas propostas proporcionariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem arquitetando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos", concluiu o pedido do senador Flávio Bolsonaro.

Na visão do parlamentar, as "tarifas propostas recompensariam justamente os infratores que deveriam punir". O pré-candidato também mencionou a influência dos atos nas eleições brasileiras.

Segundo Flávio Bolsonaro, os Estados Unidos têm interesse em não tomar medidas econômicas de grande porte contra uma democracia estrangeira nas semanas que antecedem uma eleição.

Sendo assim, aponta o documento, as tarifas poderiam ser retratadas como tentativa de influenciar o resultado, inflamando o sentimento contra os EUA.

"Adiar a implementação até depois da votação impede essa caracterização. Esse interesse é indiferente a qual candidato vença, incluindo a reeleição do atual presidente; ele diz respeito apenas ao momento e à percepção da ação dos EUA e reforça, com base em fundamentos inteiramente internos à política dos EUA, a disposição que a lei já permite", alegou o senador.

Em manifestação por escrito encaminhada nesta quarta-feira (1º) ao USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, apresentou uma defesa final do governo do presidente Lula no processo que pode culminar na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos.

O USTR pretende concluir no dia 15 a investigação contra o Brasil no âmbito da Seção 301, que acusa o país de práticas desleais de comércio, com pontos como o uso do Pix, corrupção, desmatamento e fragilidades na proteção de propriedade intelectual.

"Ainda que o USTR mantenha qualquer uma das conclusões do seu parecer preliminar — o que não deveria fazer —, a punição proposta continuaria sendo inadequada. A legislação americana (Seção 301) autoriza apenas ações 'apropriadas e viáveis' para extinguir a prática ou política questionada. A tarifa proposta de 25% sobre produtos brasileiros, ressalvadas algumas exceções, não cumpre esse requisito", afirmou o chanceler Mauro Vieira em suas conclusões.

"A medida está desconectada do objetivo real, que seria eliminar a conduta questionada, e vai impor custos pesados a empresas americanas sem resolver os problemas apontados", acrescentou o ministro Vieira.

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