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Entenda como o retorno de Michelle Bosonaro pode impulsionar campanha de Flávio

A saída de cena da ex-primeira dama figurou em uma percepção de enfraquecimento da campanha de Flávio Bolsonaro; ela é importante para reforçar ao menos quatro frentes nas eleições

PorBrasília
Partido Liberal

O vídeo publicado pelo pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) em que pede o retorno de Michelle Bolsonaro à campanha eleitoral é visto como uma estratégia de reconstrução da imagem do senador diante do eleitorado. A ex-primeira-dama é apontada por aliados como um ativo político capaz de fortalecer a candidatura do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pesquisas eleitorais divulgadas após a crise entre Flávio e Michelle indicam que parte do eleitorado considera a presença da ex-primeira-dama importante para o desempenho do senador na disputa presidencial. Levantamento do BTG/Nexus, divulgado no dia 13 deste mês, aponta que 64% dos entrevistados avaliam que o episódio envolvendo os dois enfraqueceu a campanha de Flávio Bolsonaro.

Já a pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada no dia 2 de julho, mostra que 55% dos entrevistados consideram importante o apoio de Michelle para que Flávio vença a eleição. Os levantamentos, porém, não detalham quais são os motivos apresentados pelos eleitores para essa avaliação.

Eleitorado feminino

A presença de Michelle pode ter impacto em diferentes frentes da campanha. Uma delas é o eleitorado feminino, grupo que representa 52% do eleitorado brasileiro e no qual Flávio Bolsonaro enfrenta maior dificuldade de penetração, comprovado em análises de pesquisas eleitorais.

Segundo o Datafolha, no voto das mulheres o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fica à frente do bolsonarista, com 39% a 31%. A principal rejeição é entre as jovens de 16 a 24 anos (42%) e por mulheres adultas com idade de 35 a 44 anos (41%).

A ex-primeira-dama, ao contrário, construiu seu principal capital político justamente nesse segmento. Durante sua atuação à frente do PL Mulher e pela defesa do papel de esposa ao lado de Jair Bolsonaro, Michelle consolidou uma conexão com eleitoras, principalmente entre as mulheres identificadas com o campo conservador.

Além disso, pesquisas apontam Michelle como um dos nomes de maior projeção dentro do bolsonarismo. Em uma eventual disputa ao Senado, ela aparece entre os nomes competitivos. Segundo levantamento da Paraná Pesquisas, a ex-primeira-dama é lembrada por cerca de 37% dos entrevistados para uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal.

Crise pública

Outro ponto envolve a tentativa de recuperar a percepção pública sobre Flávio Bolsonaro e evitar que o episódio seja associado a uma divisão dentro do Partido Liberal (PL). O vídeo de Michelle, no qual afirmou ter sido “maltratada”, “humilhada” e “apunhalada” pelo senador, expôs divergências familiares e políticas dentro do principal partido da direita brasileira.

O vídeo foi motivado por uma divergência interna provocada pela possibilidade de uma aliança entre o partido e o ex-ministro Ciro Gomes no Ceará. O pré-candidato ao governo é adversário histórico do bolsonarismo e crítico frequente de Jair Bolsonaro. A decisão seria apoiada por Flávio, mas não por Michelle.

O desgaste provocado pela crise também levantou preocupação entre aliados do PL sobre os impactos na imagem de unidade do partido e na mobilização da militância conservadora. O apelo feito por Flávio no vídeo pelo retorno de Michelle também teve como objetivo reforçar uma mensagem de união dentro do campo político.

Levantamento da Vox Radar, divulgado no início de junho, analisou a repercussão nas redes sociais e apontou que 49% das manifestações sobre a crise tiveram tom negativo.

Após o episódio, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que 43% dos entrevistados diziam concordar mais com Flávio Bolsonaro, enquanto aproximadamente 37% demonstravam maior alinhamento com Michelle Bolsonaro. Já levantamento mais recente da Genial/Quaest indicou que 42% dos entrevistados afirmam concordar mais com a ex-primeira-dama.

Por

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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