Entenda a crise no PL do Ceará que ampliou o racha entre os Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou que se sentiu 'apunhalada' e 'humilhada' pelo enteado, o senador Flávio (PL-RJ), pré-candidato à Presidência

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) expôs nesta quarta-feira (24) mais um capítulo do racha envolvendo o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), os enteados Eduardo (PL-SP), Carlos (PL-SC) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a disputa política no Ceará, estado liderado pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE).
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Michelle diz que, conforme combinado entre ela, o ex-presidente e o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, o partido disputaria as duas cadeiras do Ceará no Senado. Uma vaga seria do deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE) e a outra da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE).
De acordo com Michelle, a vereadora, que ajudou na campanha de André Fernandes à prefeitura da capital cearense, recebeu como retribuição "perseguição e desprezo". "Essa candidatura foi muito bem definida por três pessoas: meu marido [Bolsonaro], eu e o presidente Valdemar. Não foi sugestão. Foi preferência, foi decisão baseada no potencial da Priscila Costa", disse.
Segundo a ex-primeira-dama, "aproveitando-se da prisão" de Bolsonaro, "começaram a trabalhar para eliminar" a vereadora de Fortaleza da disputa, cedendo a vaga que seria dela para garantir uma aliança com o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), que é pré-candidato ao governo do estado. "Se o André [Fernandes] queria agradar o Ciro, por que ele não ofereceu a vaga do próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e mais fácil?", disse.
A pré-candidatura de Ciro teve como um dos principais articuladores o nome de André Fernandes. O até então eventual apoio do PL à candidatura dele já havia incomodado Michelle, que tem preferência pelo nome do senador Eduardo Girão (Novo-CE), e gerado um atrito com os enteados, que defendiam a aliança. "Vi postagens do Flávio [Bolsonaro] contra mim nas redes sociais. Palavras duras em um tom tão agressivo, defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando um homem [Ciro] que chamou ele, a mãe e seus irmãos de 'ovos de serpente nazistóides'. E não foi só ele, os irmãos vieram juntos de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros, pareceu combinado, premeditado", declarou.
A ex-primeira-dama ainda cita que tentou ligar para o enteado, pré-candidato à Presidência, que não atendeu. Depois da publicação dos vídeos nesta quarta-feira, Michelle afirma que recebeu uma ligação de Flávio, embora acredite que "seria melhor se ele não tivesse ligado". "Ele [Flávio] foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar de fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem", relatou.
Antes da publicação dos vídeos, nesta quarta-feira, André Fernandes, questionado pelo site O Sobralense na última terça-feira (23) sobre a resistência da ex-primeira-dama ao nome de Ciro, afirmou que Michelle "faz o que ela quiser". "Já fizemos essa aliança. Sou presidente do PL no estado. Estamos coligados com Ciro Gomes. Aqui a gente não vai falar de Michelle, não vamos falar de nacional", disse.
A Itatiaia procurou a assessoria do ex-governador Ciro Gomes e também do senador Flávio Bolsonaro. O espaço segue aberto.
Veja o vídeo:
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



