Em meio à restrição de Flávio a Bolsonaro, o pré-candidato pede o apoio de Michelle
Em vídeo nas redes sociais, Flávio enaltece o trabalho político de Michelle e faz pedido para que ela retome o apoio à sua campanha

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou um vídeo nesta quinta-feira (23) em que faz um apelo para que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro volte a participar ativamente de sua campanha. Em tom de união, o parlamentar afirmou que precisa do apoio de aliados para "salvar o país" e defendeu o reconhecimento do trabalho realizado por Michelle.
"É preciso que todos entrem em campo e me ajudem. Então, quero mais uma vez me dirigir à Michelle [Bolsonaro]. Todos nós reconhecemos o grande trabalho que ela fez no PL Mulher", afirmou.
O vídeo representa um segundo pedido público de desculpas de Flávio Bolsonaro à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Na gravação, o pré-candidato enaltece a importância dela para o grupo político e afirma que Michelle precisa ser reconhecida e respeitada pelo apoio dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao mencionar o pai, Flávio classifica o momento vivido pela família como "extremamente difícil" e fala em um cenário de "covardia". O senador faz referência às restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao senador.
O pré-candidato está impedido de ver o pai por 90 dias. As visitas a Jair Bolsonaro estão suspensas por 30 dias as após a divulgação e a leitura de uma carta escrita pelo ex-presidente.
Flávio também faz um apelo por união e afirma que a crise familiar tem sido explorada pelos adversários políticos. Por isso, pede que a militância mantenha o foco no objetivo de "resgatar o Brasil" e de preservar o legado do ex-presidente.
"Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai. (...) Não vamos transformar essa situação em mais motivos de ataques que serão explorados contra nós mesmos. Vamos evitar qualquer divisão. O momento exige união. O que nos une é muito maior do que qualquer diferença", afirmou.
Crise familiar
A crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro começou após a divulgação de um vídeo em que a ex-primeira-dama afirmou ter sido "maltratada" e "desrespeitada" pelo enteado durante uma divergência sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará.
Michelle era contrária à aproximação do partido com o pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB). Ela defendia que o PL apoiasse o senador Eduardo Girão (Novo-CE) ou mantivesse uma candidatura alinhada ao campo conservador. Já o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, considera que uma aliança entre Ciro e Flávio Bolsonaro é a alternativa mais natural para fortalecer o partido no estado.
O desentendimento extrapolou o âmbito familiar e se transformou em um conflito público e político, culminando na saída de Michelle do comando do PL Mulher. Desde então, os dois romperam relações.
Em entrevista à CNN, Valdemar Costa Neto afirmou que existe a possibilidade de Michelle voltar a participar da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Segundo o dirigente, o objetivo comum de buscar a reversão da situação jurídica de Jair Bolsonaro pode favorecer uma reconciliação.
Em pesquisa da Paraná Pesquisas, divulgada nesta segunda-feira (20), Michelle Bolsonaro aparece como um dos principais nomes do eleitorado bolsonarista e conservador, com uma média de 37%. Em um cenário para a disputa ao Senado Federal pelo Distrito Federal (DF), ela figura entre os candidatos mais bem posicionados nas intenções de voto.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



