Em meio ao escândalo do INSS e evento com cadeiras vazias, Kalil oficializa filiação ao PDT
Aliança com partido citado em desvio de R$ 6 bilhões deixa dúvidas sobre o futuro político do ex-prefeito de BH

O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil se filiou ao PDT nesta quarta-feira (15), na sede nacional do partido, em Brasília, em um evento esvaziado, que contou com a presença de poucos parlamentares. Estiveram presentes o presidente nacional do PDT e ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi; a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG); o deputado federal André Figueiredo (PDT-CE); e o líder do PDT na Câmara dos Deputados, Mário Heringer (PDT-MG). A nomeação ocorre em um momento delicado para a sigla, que está no centro de um escândalo envolvendo um esquema bilionário de fraudes e desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Mesmo com o cenário negativo, Kalil tenta se viabilizar politicamente para enfrentar o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera a disputa ao governo de Minas Gerais em 2026, segundo pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada no dia 8 de outubro.
“O sonho de todo mineiro é ser governador de Minas, né? Então, se nós temos números competitivos, qualquer pré-candidato tem o direito de ser. Quem tem número competitivo em todas as pesquisas tem o direito de ser. Então, se eu tenho partido, se o partido quer e eu tenho número, eu sou pré-candidato”, declarou Kalil.
Embora tenha negado envolvimento direto nas irregularidades, Lupi foi criticado pela demora em tomar providências diante dos alertas sobre as fraudes. Pressionado, deixou o cargo.
O episódio mancha a imagem da legenda, que agora busca se renovar com a chegada de Kalil como pré-candidato ao governo mineiro, após a derrota na última eleição. O ex-prefeito de Belo Horizonte ficou em segundo lugar, atrás do atual governador Romeu Zema (Novo).
“Não me afastei. Quando a gente perde a eleição, vai pra cama. Queria que eu tentasse fazer o impeachment do Zema? Ou pedalada? Eu perdi a eleição. E o lugar de quem perde eleição é em casa, esperar a outra, fazer o quê? Chorei um pouco e fiquei em casa, né?”, disse Kalil sobre o período em que ficou fora da política.
Durante o evento de filiação, Kalil confirmou ser pré-candidato, embora tenha deixado em aberto se será lançado oficialmente pela legenda. “Candidatura a governo é número”, afirmou, dizendo-se “competitivo” nas pesquisas.
Kalil também procurou afastar o rótulo de esquerda e classificou o PDT como “centro-esquerda”. “Quem quer ser de esquerda no Brasil? Parece que todos estão no governo de esquerda”, ironizou, em tentativa de se desvincular de uma aliança direta com o Palácio do Planalto, sem, contudo, romper com o grupo que o sustenta politicamente.
A articulação foi conduzida pelo deputado federal Mário Heringer, presidente do PDT em Minas, que elogiou a trajetória de Kalil e afirmou que o ex-prefeito “não foge de debate”. Segundo Heringer, o novo filiado é “um nome forte” para enfrentar o senador Cleitinho Azevedo, que lidera as principais pesquisas de intenção de voto.
“Tenho certeza absoluta de que essa posição do Kalil, de segundo lugar, é muito temporária. A partir de hoje, Minas Gerais inteira sabe que o Kalil tem partido, que o Kalil está na disputa e que vem sério para esse jogo. Nós vamos trabalhar muito para que Minas tenha um governador no nível que Belo Horizonte teve de prefeito”, disse o líder do PDT na Câmara.
Apesar do tom otimista, a presença de Lupi no evento e o momento em que o PDT volta às manchetes por causa de irregularidades no INSS levantaram questionamentos sobre as motivações da aliança. A reaproximação do ex-prefeito de Belo Horizonte com figuras históricas e desgastadas do PDT, como Lupi, contrasta com o discurso de independência que marcou suas campanhas anteriores.
Outro lado
Por meio de nota, a assessoria do PDT negou que o evento estava esvaziado e explicou que houve transmissão ao vivo pela internet, por isso o acesso foi restrito.
"A coletiva de imprensa não foi o evento de filiação do Alexandre Kalil, que contou com transmissão ao vivo pela internet e acesso restrito. Portanto, não foi esvaziado. Além dos parlamentares do PDT mencionados, outros participaram, inclusive externos, como o Túlio Gadelha, da Rede. Cito ainda os membros da Executiva e do Diretório Nacional, bem como representantes de movimentos do partido", diz a nota.
Segundo a sigla, outros nomes que vão se filiar ao PDT serão anunciados em breve.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.



