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Simões e Kalil trocam farpas e acusações sobre combate ao feminicídio em MG

Governador cobrou declaração do adversário de 2022; ex-prefeito respondeu com críticas à situação das polícias e disse que Simões está "em Nárnia"

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Alexandre Kalil (PDT) e Mateus Simões (PSD) discutiram o combate ao feminicídio em Minas Gerais • Reprodução Band

O combate à violência contra a mulher gerou o primeiro confronto direto no debate entre os candidatos ao Governo de Minas Gerais, realizado pela Band neste domingo (16). O governador Mateus Simões (PSD) escolheu o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) para debater o tema e o questionou sobre uma fala atribuída ao adversário na eleição passada.

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Simões afirmou que Kalil deu uma entrevista em 2022 dizendo que violência doméstica e feminicídio eram assuntos complexos e não seriam problema do governo estadual. O candidato do PSD lembrou que Minas Gerais registrou 177 vítimas de feminicídio no ano passado e cobrou explicações do adversário.

A resposta do candidato do PDT foi dura. Kalil questionou se o governador vivia em "Nárnia" ou em "outro planeta" e argumentou que a segurança pública é responsabilidade direta do Palácio Tiradentes. Ele acusou o estado de sucatear as forças policiais ao longo da gestão.

Falta de policiais e estrutura

O ex-prefeito citou a falta de sete mil policiais no efetivo e afirmou que a remuneração das polícias mineiras é a mais baixa do país. Segundo Kalil, a precariedade estrutural chegaria ao ponto de uma delegacia em Caeté depender de papel higiênico doado por um supermercado da região. Ele também disse que uma delegacia de mulheres em Ribeirão das Neves estaria em processo de despejo por falta de pagamento do governo estadual.

Kalil justificou a declaração de 2022 afirmando que ela teria sido dada fora de contexto e destacou ações de sua gestão na capital. Citou a criação da casa de acolhimento Sempre Viva e a presença de guardas municipais femininas armadas como exemplos do trabalho na área.

Na réplica, Simões acusou o adversário de não sustentar as próprias palavras e de tentar transferir às polícias a responsabilidade por um problema que classificou como nacional.

O governador defendeu as escolhas da gestão e destacou a presença de mulheres no comando da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros. Segundo ele, a comandante da PM é especialista em violência doméstica.

O candidato do PSD também citou a ampliação para 70 delegacias especializadas no atendimento à mulher e a criação de visitas preventivas de policiais civis às casas de vítimas, mesmo fora de situações de violência imediata.

Na tréplica, Kalil rebateu as justificativas afirmando que nomear comandantes mulheres se tornou apenas tema para gerar votos, sem refletir em cuidado real. Disse ainda que o governo fechou mais de 100 delegacias de mulheres e defendeu que o respeito às forças de segurança passa por pagar melhores salários e repor o efetivo.

Os números do feminicídio em Minas

Minas Gerais registrou 177 vítimas de feminicídio em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número representa alta de 4,4% em relação a 2024, quando foram contabilizados 169 casos.

O aumento ocorreu apesar da queda no total de homicídios de mulheres no estado, que passou de 350 para 306 no mesmo período, uma redução de 12,9%. Com isso, os feminicídios passaram a representar 57,8% das mortes violentas de mulheres em Minas.

O cenário eleitoral em Minas Gerais

O debate da Band foi o primeiro entre os candidatos ao governo mineiro e ocorreu no primeiro dia oficial de campanha. Participaram Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD). Patrus Ananias (PT) foi convidado, mas não compareceu.

Simões assumiu o governo em março, após a renúncia de Romeu Zema (Novo), que deixou o cargo para disputar a Presidência.

Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, Cleitinho liderava com 35% das intenções de voto, seguido por Kalil, com 12%, e Patrus, com 10%. Simões aparecia com 6% e Gabriel Azevedo com 4%.

O levantamento ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho, tem margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no TSE sob o número MG-03490/2026. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

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Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.

 

 

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