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1º debate em MG: Lula esquecido e Flávio Bolsonaro com palanque duplo

Patrus fala a debate e Cleitinho declara apoio à candidato do PL

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Foto: Junia Garrido

O primeiro embate entre os postulantes ao Palácio Tiradentes expôs as principais linhas que devem marcar a campanha: críticas à atual gestão, defesa de pautas econômicas e sociais e, sobretudo, diferentes tentativas de conquistar o eleitorado de centro.

A ausência do ex-ministro Patrus Ananias (PT) produziu um efeito político inesperado: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) praticamente desapareceu do debate. O petista foi citado apenas no fim do programa pelo senador Cleitinho (Republicanos), que, na mesma fala, revelou seu apoio ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

Embora se apresente como candidato de direita, Cleitinho procurou ampliar seu discurso para além do campo conservador e apostou em temas como o combate a privilégios e a defesa de pautas populares entre servidores e contribuintes.

O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) manteve o estilo combativo e distribuiu críticas para diferentes lados. O ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, concentrou o discurso na experiência de gestão e na defesa da indústria, recorrendo à trajetória à frente de entidades como FIEMG, SESI e SENAI.

O governador Mateus Simões (PSD) aproveitou as oportunidades para tentar elencar resultados da administração que herdou de Romeu Zema (Novo) e para fazer críticas ao governo federal. Já o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) apostou nas provocações aos adversários e procurou demonstrar conhecimento sobre o estado e sobre as propostas dos concorrentes.

Patrus justificou a ausência alegando um compromisso previamente assumido com o lançamento da campanha do presidente Lula, em São Paulo.

Cleitinho

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Cleitinho adotou o discurso do diálogo e tentou se apresentar como uma alternativa capaz de conversar com diferentes campos políticos. Disse ser necessário “esquecer ideologia” e dialogar “independente de quem for o presidente”.
Conhecido por usar camisas de times de futebol, o senador novamente recorreu ao simbolismo. Desta vez, vestiu uma camisa de Minas Gerais, produzida especialmente para ele, com o mapa do estado e a bandeira mineira estampados no peito.

No campo das propostas, defendeu a revisão de isenções fiscais, a cobrança de IPVA para veículos e a privatização de estatais. Também lançou mão de uma estratégia de aproximação com o eleitorado ao fazer uma espécie de autocrítica corporativa: citou o próprio salário, de cerca de R$ 40 mil, para defender uma remuneração maior para professores.

Na segurança pública, tema ao qual retornou diversas vezes ao longo do debate, fez um aceno direto às forças policiais ao se posicionar contra o uso de câmeras nos uniformes dos agentes.

Kalil

Alexandre Kalil foi quem mais explorou o confronto direto. O ex-prefeito atacou simultaneamente a atual gestão estadual, o Senado e o governo federal.
Em uma das falas mais duras, chamou Mateus Simões de “pai da mentira”. Em outra, afirmou que Gabriel Azevedo “fala bem no microfone, mas nunca administrou nada”. Ao ser questionado sobre o próprio plano de governo, admitiu que ainda não havia lido o documento: “Que bom que você leu, porque eu não li”.
Kalil também concentrou parte dos ataques em Cleitinho, principalmente em torno do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), elaborado e aprovado no Senado. Para o pedetista, o programa pode agravar a situação fiscal dos estados no longo prazo.

Mateus Simões

Mateus Simões tentou transformar perguntas dos adversários em oportunidades para divulgar ações da atual administração. O governador também direcionou parte de seu discurso para o governo federal, explorando a polarização ideológica ao afirmar que a “esquerda passa pano” para a gestão de Lula.

A estratégia permitiu a Simões manter o foco nas diferenças entre o governo estadual e o federal, ao mesmo tempo em que buscou apresentar realizações da administração que herdou de Zema.

Flávio Roscoe

Flávio Roscoe fez da experiência administrativa o principal eixo de sua participação. O empresário insistiu na necessidade de “gestão” e de uma atuação política baseada em “união sem interesse partidário”.

Quando provocado pelos adversários, não recuou de pautas potencialmente controversas, como privatizações e incentivos fiscais. Também defendeu a ampliação do ensino técnico como forma de qualificar mão de obra para a indústria.

Roscoe ainda levou ao debate o tema das terras raras, tentando associar a discussão sobre recursos minerais à estratégia de desenvolvimento econômico do estado.

Gabriel Azevedo

Gabriel Azevedo apostou em explorar aquilo que considera vulnerabilidades dos adversários. Questionou a formação da chapa de Cleitinho, provocou Roscoe sobre a sustentabilidade da indústria mineradora e associou integrantes da atual administração a casos de corrupção.

Também mirou Kalil. Em uma das provocações mais diretas do debate, afirmou: “Todo mundo sabe que você não consegue se controlar”.

Azevedo acusou ainda Mateus Simões de ter traído as forças de segurança de Minas Gerais ao não cumprir um acordo de reajuste salarial e responsabilizou o governo estadual pelo avanço das facções criminosas no estado.

Professor e filho de policial, o candidato recorreu à própria trajetória para reforçar o discurso de defesa das duas categorias.

Resumo

O primeiro debate deixou claros os caminhos escolhidos pelos candidatos. Cleitinho tentou ampliar seu eleitorado para além da direita e se apresentar como um candidato capaz de dialogar com diferentes campos políticos. Kalil manteve o estilo combativo e buscou preservar pontes com eleitores da esquerda sem se apresentar como candidato desse campo. Roscoe apostou na experiência de gestão e precisou defender pautas menos populares, como incentivos fiscais. Simões concentrou esforços em apresentar resultados do governo estadual e atacar o governo federal. Azevedo, por sua vez, preferiu explorar as fragilidades dos adversários.

A ausência de Patrus Ananias teve um efeito evidente: o PT e Lula praticamente ficaram fora do primeiro grande confronto da eleição mineira. Para o candidato petista, a decisão evitou, ao menos neste primeiro momento, a exposição direta a críticas relacionadas ao partido e ao governo federal.
Para os demais candidatos, porém, o espaço deixado pelo PT abriu uma oportunidade: disputar o eleitorado mineiro sem precisar, por enquanto, enfrentar diretamente a polarização nacional entre Lula e Bolsonaro.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

 

 

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