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Sem Cleitinho, eleição em Minas não tem favoritos claros nem à esquerda, nem à direita

Enquanto o campo progressista vive o vácuo deixado por Marília Campos (PT), o conservador aguarda a definição do senador para se articular

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Cleitinho Azevedo é umm homem branco cabelos escuro e utiliza paletó cinza, com camisa e gravata escuro. Segura um celular diante a um microfone.
Cleitinho Azevedo (Republicanos), senador por Minas Gerais • Waldemir Barreto/Agência Senado

Com a indefinição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), favorito na corrida eleitoral, sobre concorrer ou não ao Governo de Minas Gerais, as eleições deste ano estão, por ora, sem nomes fortes nem à esquerda, nem à direita, nem ao centro, com cenário vastamente aberto para os demais pré-candidatos, que pouco pontuam nas pesquisas de intenção de voto.

Enquanto à esquerda paira um vácuo político deixado pela decisão de Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, de não se lançar ao Palácio Tiradentes, mesmo com pedido expresso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à direita há diversas candidaturas dispersas que não pontuam acima dos dois dígitos nas pesquisas.

Ao centro, pré-candidatos como o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior (PSB) também não animam o eleitorado, que mantém o clima expresso de indefinição para o pleito em Minas Gerais.

A estratégia dos diversos campos políticos, contudo, tem sido diferente. A direita bolsonarista trabalha com o duplo entre esperar a definição de Cleitinho, que prometeu se decidir após o fim da Copa do Mundo, e, nos bastidores, tentar cacifar nomes como o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) Flávio Roscoe e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli.

A sucessão do ex-governador Romeu Zema (Novo), representada pelo governador Mateus Simões (PSD), tenta ampliar a base de conhecimento do chefe do Palácio Tiradentes, que ainda é vastamente desconhecido pela população, além de tentar articular alianças com outras frentes de centro e de direita para compor uma chapa competitiva para as eleições.

Na esquerda, o PT tenta buscar nomes para uma candidatura própria, que, nos bastidores, variam entre a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Sandra Goulart, e os deputados federais Rogério Correia (PT) e Reginaldo Lopes (PT). Nesta quinta-feira (7), Sandra afirmou que poderia contribuir para uma candidatura ao Palácio Tiradentes.

Outra ala do partido, contudo, defende uma aliança com o centro, especialmente encabeçada por Marília, que quer unir o palanque de Lula em Minas com uma composição com Gabriel Azevedo ou Jarbas Soares Júnior.

De acordo com o cientista político Adriano Cerqueira, a grande questão sobre a configuração do cenário político em Minas Gerais gira em torno da decisão do senador Cleitinho Azevedo. “Se o Cleitinho não participar, a grande questão é: ele desistiu em favor de quem?”, pondera.

Ele avalia que há duas possibilidades de decisão política que beneficiaram diferentes pré-candidaturas. Se Cleitinho, como previsto, acenar ao PL, de Jair Bolsonaro, o partido ganha força e poderá construir uma candidatura com maior musculatura. Se acenar a Simões, o mesmo acontece do lado pessedista.
A esquerda, de acordo com Silveira, ainda convive com o fantasma da gestão de Fernando Pimentel (PT) à frente do estado, que foi vastamente impopular no final de seu governo. Com isso, a melhor chance do PT, em especial, na corrida pelo Palácio Tiradentes, conforme o cientista político, seria Marília Campos – que descartou a possibilidade.

“O PT de Minas está em uma crise já desde o fim do governo Pimentel e não melhorou, não passou. Quem tem chances eleitorais, como a Marília, a ex-prefeita de Contagem, sabe que vai perder se disputar uma candidatura para o governo de Minas. E ela tem chances, não vai ser fácil, mas ela tem chances de ser eleita senadora. Ela aparenta ser uma pessoa de pé no chão. Então, ela não vai se aventurar a sair candidata ao governo de Minas só pra dar palanque para o Lula”, finaliza.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.