Privatizar ou não? Saiba a opinião de cada candidato sobre o futuro da Cemig
Futuro da Cemig aparece como tema em sabatinas e debates entre os candidatos ao Governo de Minas; saiba o que cada um vai fazer com a estatal quando for eleito

Durante os dois mandatos do ex-governador Romeu Zema (Novo), Minas Gerais teve uma administração pró-privatização de empresas, o que acelerou o processo de desestatização de algumas empresas, incluindo a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) em 2026, já na gestão de Mateus Simões (PSD).
Essa tendência de desestatização veio em um contexto de déficit orçamentário do estado, fazendo com que algumas dessas empresas virassem moedas de troca com a União para que Minas conseguisse aderir ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag), e renegociar um débito de R$ 180 bilhões. Minas terá que manter a gestão em superávit nos próximos anos se quiser continuar no Propag sob as condições atuais do programa, assim fica em evidência uma empresa mineira de um setor estratégico que já teve tentativas de privatização durante o governo Zema: a Companhia Energética de MG (Cemig).
A Cemig divide opiniões sobre a melhor alternativa para o futuro. Para uns, a companhia tende a ser melhor administrada pelo setor privado e a venda traria um fôlego importante para o pagamento da dívida. Para outros, saneamento e energia não deveriam ser tratados como mercadoria, e só o Estado pode administrar de forma correta, sem pensar em lucro na hora das decisões importantes.
Nessa reportagem você verá o que cada candidato já disse publicamente sobre a Cemig e quais medidas pretende adotar assim que for eleito. Vamos pela ordem de maior porcentagem de intenção de votos na última pesquisa feita pelo Instituto Datafolha.
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
O líder nas pesquisas, Cleitinho Azevedo (Republicanos), fez uma pergunta ao candidato Gabriel Azevedo (MDB) durante o primeiro debate promovido pela TV Band Minas. A pergunta foi direta: Você é a favor ou contra a privatização da Cemig?
Durante sua réplica, Cleitinho disse que é contra a privatização da Cemig, mas defende que a estatal não se transforme em um “cabide de empregos”, rejeitando indicações políticas aos cargos de poder da empresa.
“Na minha humilde opinião, empresa que dá prejuízo e não tem prestação de serviço a gente tem que dialogar sobre a questão de privatização. Agora empresa que dá lucro, eu não vejo necessidade de privatizar. Eu não tenho vontade de privatizar a Cemig, porque ela dá lucro”, disse.
Patrus Ananias (PT)
O ex-ministro do Governo Lula, Patrus Ananias (PT) está empatado na segunda posição com 12% das intenções de voto, porcentagem igual a de Alexandre Kalil (PDT). Durante entrevista à Rádio Itatiaia, o petista foi questionado se pretendia reverter a privatização da Copasa caso assumisse o Palácio Tiradentes. Patrus respondeu que “vai analisar com cuidado”, e que não deve fazer nenhum ato atropelado, mesmo considerando a venda como um processo lamentável. Na mesma resposta, deixou claro suas propostas para a Cemig:
“Quero deixar claro também, como não foi privatizada ainda, nós vamos defender com muito vigor essa grande conquista do povo de Minas, legado de Juscelino Kubitschek, que é a Cemig.”
Alexandre Kalil (PDT)
Em entrevistas recentes, o candidato do PDT expressou opinião contrária às privatizações da Copasa e Cemig. Para Kalil, a Cemig entrega lucro consistente e não tem necessidade de ser privatizada.
Falando sobre empresas que dão prejuízo, Kalil afirmou que é a favor da privatização, sob a condição de que sejam fortalecidos os mecanismos de regulação e fiscalização da gestão.
Mateus Simões (PSD)
O atual governador, filiado ao PSD, participou recentemente de uma sabatina promovida pela CNN Brasil e foi questionado sobre uma declaração do ex-governador Romeu Zema sobre a continuidade das privatizações se Simões vencer a eleição. Perguntado se pretende privatizar a Cemig, Simões disse que não tem intenção no momento, mas que quer discutir a privatização da Gasmig, uma subsidiária da Cemig.
Mateus não se preocupa com a situação financeira da Cemig no momento e não questiona sua prestação de serviço. Sobre sua diferença de opinião com Zema sobre as privatizações, ele declarou: “A minha lógica nessa questão de privatização é um pouco diferente da do ex-governador Romeu Zema. Eu não tô preocupado em privatizar a qualquer custo, eu tô preocupado em privatizar aquilo que não está prestando um bom serviço”.
Flávio Roscoe (PL)
O candidato do PL e ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) declara que é a favor da aproximação do Estado com a iniciativa privada para uma gestão eficiente. Porém, no caso específico da Cemig, Flávio já declarou em entrevistas recentes que não quer privatizar a companhia.
“O caso da Cemig é de uma estatal bem administrada. Enquanto ela é bem administrada, na minha leitura, não há necessidade de privatização, então não está na minha proposta.”
Gabriel Azevedo (MDB)
Em entrevista recente à Rádio Itatiaia, o emedebista reafirmou seu compromisso de não privatizar a Cemig. Ressaltou também que a empresa não deve ser entregue como pagamento de dívidas com a União.
“Eu não sou contra a iniciativa privada, eu sou a favor de concessões. Mas essa empresa estatal é profundamente estratégica para o Governo de Minas Gerais.”
Gabriel também criticou indicações políticas dentro da Cemig e preza pela gestão com fiscalização.
Professor Túlio Lopes (PCB)
O candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB) é o que mais se coloca contrário a qualquer tipo de privatização, ainda mais de empresas estratégicas como a Copasa e a Cemig.
Uma frase dele sobre esse assunto repercutiu durante a sabatina promovida pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel). Ele afirmou:
“Água e energia não são mercadorias; a água é fonte de vida. A privatização da Copasa é um equívoco estratégico, realizado sem o devido referendo popular e atrelado, de forma questionável, a negociações da dívida pública com a União”
Ben Mendes (Missão)
O jornalista e candidato do Partido Missão é o único candidato que não vê com maus olhos uma futura privatização da Cemig, mas afirma que não tem uma resposta definitiva sobre o tema, por se tratar de uma empresa de um setor estratégico. Em entrevistas recentes, ele argumenta que a Copasa presta um serviço muito aquém do esperado, por isso é a favor de sua privatização.
Já com a Cemig, Ben Mendes ressalta que: “essa tomada de decisão tem que ser feita com muito diálogo”, propondo ouvir as demandas tanto dos empresários que utilizam o serviço quanto dos servidores da companhia.
Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Atuou em assessoria de imprensa no Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) e no setor de apuração da TV Alterosa. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



