Por que a abstenção costuma aumentar no segundo turno das eleições?
No primeiro turno, a disputa por vagas no Legislativo amplia a mobilização, com candidatos a vereador e deputado acionando redes de lideranças comunitárias, associações de bairro e sindicatos

Mais de 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno das eleições de 2026. O número reacende a discussão sobre a participação eleitoral, já que, historicamente, a abstenção costuma crescer no segundo turno das disputas.
Desde a retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, o comparecimento às urnas tende a cair na etapa final. Em 2026, a taxa de não comparecimento chegou a 21,08% no primeiro turno, o maior percentual em uma eleição presidencial desde 1998.
O comportamento, porém, não é uma regra. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022, a ausência às urnas nas eleições presidenciais caiu de 20,95% no primeiro turno para 20,6% no segundo. Já nas eleições municipais de 2024, a ausência na rodada final chegou a quase 30% do eleitorado apto a votar, segundo os dados considerados neste levantamento.
Por que os eleitores deixam de votar?
Uma das explicações está na própria dinâmica das campanhas. No primeiro turno, a disputa por vagas no Legislativo amplia a mobilização, com candidatos a vereador e deputado acionando redes de lideranças comunitárias, associações de bairro e sindicatos. Na etapa final, sem parte desses candidatos em campanha, essa estrutura de incentivo ao voto pode perder força.
Também há eleitores que deixam de se identificar com a disputa quando seu candidato é eliminado. Sem uma opção que os represente, parte deles pode optar por não comparecer às urnas. Esse distanciamento se soma aos votos em branco e nulos, embora sejam escolhas diferentes da abstenção.
As condições de deslocamento também influenciam o comparecimento. Viagens em feriados prolongados, dificuldades de locomoção e problemas para chegar ao local de votação podem afastar eleitores das urnas. Entre pessoas com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, a ausência tende a ser maior.
Como estimular o comparecimento?
Para tentar reverter esse cenário, a Justiça Eleitoral investe em campanhas de conscientização. Em 2026, o TSE mobilizou influenciadores digitais, sem custos para os cofres públicos, e direcionou ações de comunicação a idosos e jovens de 16 e 17 anos.
Outra medida é a oferta de transporte público gratuito nos dias de votação. A gratuidade, associada a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), busca reduzir o peso do custo de deslocamento, especialmente para eleitores de baixa renda, e facilitar o acesso aos locais de votação.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.



