Itatiaia

Escândalo do Banco Master vira alvo de acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro em debate

Candidato do PL cobrou explicações sobre cifra de R$ 134 milhões durante confronto com o presidente, que também foi alvo de questionamentos sobre suspeitas envolvendo familiares

Por
lula-flavio-bolsonaro-debate-band
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante coletiva de imprensa antes do debate da TV Band • Renato Pizzutto/Band

O escândalo do Banco Master dominou o confronto direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no debate desta noite na TV Band, em São Paulo. No primeiro embate cara a cara do segundo turno, os dois candidatos trocaram acusações sobre responsabilidades pelo esquema e tentaram associar o adversário ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Flávio cobrou explicações sobre a relação do entorno do governo com Vorcaro, citou investigações da Polícia Federal que, segundo ele, alcançam pessoas ligadas ao presidente, e fez referência direta ao filho de Lula. “O dinheiro que está sustentando o seu filho pode ser o dinheiro do aposentado”, disse o senador.

Lula, por sua vez, questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões supostamente negociados com Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista insistiu no assunto durante o confronto e cobrou explicações do adversário sobre a operação.

Lula também jogou a origem do escândalo no colo do governo anterior. Segundo o presidente, foi a gestão Bolsonaro que autorizou Vorcaro a se tornar banqueiro, em outubro de 2019, sob a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central, depois de o próprio órgão ter negado o pedido meses antes, em fevereiro do mesmo ano.

“Em fevereiro o relatório técnico disse que ele não tinha condições financeiras. Em outubro disse que estava autorizado. O que aconteceu nesse meio-tempo?”, questionou o atual presidente.

O presidente também atribuiu ao seu governo o mérito de ter exposto o esquema. Argumentou que foi o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por ele, quem identificou irregularidades no balanço da instituição e determinou a fiscalização que levou à liquidação do banco.

A troca de acusações rapidamente extrapolou o caso Master. Flávio associou o esquema de descontos irregulares no INSS a sindicatos ligados ao PT e afirmou que o Congresso eleito em outubro é mais à direita e não permitirá novos escândalos. Lula rebateu lembrando que seu governo foi o responsável por expor o esquema e que aliados do próprio Flávio comemoraram o encerramento da CPI do INSS.

O embate também foi marcado por acusações envolvendo familiares dos candidatos, com Flávio questionando suspeitas relacionadas a Lulinha e Lula cobrando explicações sobre a negociação atribuída ao senador.

Leia também:

Por

Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público

 

 

Belo Horizonte