Durigan naturaliza reação do mercado à virada de Lula nas urnas: 'É natural que uma troca de posição cause esse desarranjo'
Em entrevista nesta terça-feira (27), o ministro da Fazenda disse que o governo federal dialoga com o mercado em busca de 'racionalidade' e que a gestão da pasta mostra seu compromisso com a estabilidade fiscal

Após o efeito negativo do mercado com queda nas ações de empresas brasileiras e alta do dólar, o ministro da Fazenda Dario Durigan minimizou a reação do mundo financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (27), ele classificou as oscilações recentes como um movimento natural de transição.
"Não há nenhum risco de fundamento, nós estamos agora passando por um período de transição e o presidente vai sentar tanto com a equipe atual, quanto com a equipe que ele vai designar para o próximo mandato, para que a gente defina os próximos passos concretos, sabendo que a gente já tem medidas prontas, como a busca do centro da meta, que vão ser tratadas com o Congresso Nacional em breve", destacou.
Durigan disse ainda que a virada eleitoral entre o primeiro e o segundo turno ajuda a explicar a reação adversa do mercado, que apostava na manutenção do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente na corrida presidencial
"A gente teve uma troca de posição, o mercado estava apostando num determinado candidato, teve outro candidato, que foi o presidente Lula, que conseguiu uma vitória histórica no domingo. É natural que uma troca de posição cause esse desarranjo no mercado. Todo nosso diálogo ontem foi técnico, inclusive a interlocução com o mercado, para estabelecer parâmetros de racionalidade", destacou.
Para conter a volatilidade, o ministro destacou que o governo mantém o compromisso com a estabilidade fiscal e que tem buscado interlocução direta com o setor privado. "Depois a equipe vai apresentar quais serão essas medidas em termos de ajuste, em termos de perseguição da meta, para mostrar que o compromisso nosso, o compromisso desse governo do presidente é com responsabilidade fiscal, é com estabilidade fiscal e isso não vai ser buscado, seja com qualquer tipo de retaliação, isso vai ser buscado com diálogo, eu mesmo ontem já fiz uma série de conversas com o mercado financeiro, mostrando o nosso compromisso fiscal".
Projetos para perseguir o centro da meta fiscal
Entre as ações em preparação, o governo planeja enviar ao Congresso Nacional uma proposta para perseguir o centro da meta fiscal, o que deve envolver a ampliação da possibilidade de contingenciamento. Segundo o ministro, o instrumento jurídico provável para a medida é um projeto de lei complementar.
"O que for necessário, avaliando o jurídico, a informação que eu tenho da análise técnica é que um projeto de lei complementar daria conta de fazer esse estabelecimento", disse o ministro.
Outro destaque foi a autorização para uma nova operação de recompra de títulos públicos pelo Tesouro Nacional. "Hoje a gente pode sim ter nova recompra de títulos do Tesouro, eu falei com o secretário do Tesouro hoje de manhã e disse para ele que eu autorizo, na medida em que estiverem colocadas as condições e as necessidades de fazer intervenção, que eu já teria o autorizado a fazer isso logo pela manhã. Então deve ter sim".
Por fim, ao ser questionado sobre a definição da nova equipe de governo e a especulação em torno do nome de Rafael Fonteles (PT-PI), governador reeleito no Piauí, para a pasta da Fazenda, o ministro esclareceu que o tema ainda será analisado pelo presidente.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



