Conheça a carreira política de Otaviano Pivetta, pré-candidato ao Governo do MT
Otaviano Pivetta assumiu o comando de Mato Grosso em março de 2026 e agora disputa a reeleição ao Palácio Paiaguás

Otaviano Pivetta (Republicanos) entra na disputa nas eleições de 2026 como pré-candidato ao Governo de Mato Grosso. Após exercer dois mandatos consecutivos como vice-governador, assumiu o comando do Executivo estadual em março deste ano, quando Mauro Mendes (União Brasil) deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal. Agora, tenta manter no Palácio Paiaguás o grupo político que governa o estado desde 2019.
Pivetta é natural de Caiçara, no Rio Grande do Sul, mas foi ainda jovem para Mato Grosso, onde construiu carreira como empresário do agronegócio. Foi um dos pioneiros no desenvolvimento de Lucas do Rio Verde, município do qual se tornou uma das principais lideranças políticas. A trajetória eleitoral começou em 1996, quando foi eleito prefeito da cidade.
Posteriormente, voltou ao cargo por mais duas vezes, com uma gestão voltada ao planejamento urbano e ao desenvolvimento econômico do município. Também exerceu mandato de deputado estadual entre 2003 e 2006.
Em 2010, disputou pela primeira vez o Governo de Mato Grosso, mas não foi eleito. Oito anos depois, integrou a chapa de Mauro Mendes como candidato a vice-governador, sendo eleito em 2018 e reeleito em 2022. Durante mais de sete anos ocupou a vice-governadoria, até assumir definitivamente o comando do estado em março de 2026, em razão da desincompatibilização de Mendes para disputar o Senado.
Nos dois mandatos como vice-governador, Pivetta acompanhou de perto as principais decisões da administração estadual e passou a ser considerado o sucessor natural de Mauro Mendes. Com a posse no Governo de Mato Grosso, o pré-candidato pretende manter a linha administrativa adotada desde 2019, baseada no equilíbrio das contas públicas, ampliação dos investimentos e modernização da infraestrutura estadual.
Segundo Pivetta, Mato Grosso atravessa um dos períodos de maior capacidade de investimento de sua história graças ao ajuste fiscal promovido nos últimos anos, cenário que, na avaliação dele, permitirá a continuidade das obras estruturantes.
O que Otaviano Pivetta defende
Grande parte da campanha de Pivetta está concentrada na defesa das obras executadas pelo governo estadual, como a Ferrovia Estadual de Mato Grosso. O pré-candidato classificou a entrega do primeiro trecho entre Rondonópolis e Dom Aquino, com cerca de 160 quilômetros, como um marco histórico por se tratar da primeira ferrovia concedida por um governo estadual no Brasil.
A ferrovia, para Pivetta, deverá reduzir significativamente os custos logísticos da produção agrícola, retirar milhões de toneladas de cargas das rodovias e diminuir acidentes e emissões de carbono. O projeto completo prevê aproximadamente 740 quilômetros de extensão, ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, além de um ramal até Cuiabá. Apesar do aumento das taxas de juros, o pré-candidato afirma que o cronograma da concessão será mantido.
Outra vitrine da gestão é o programa de pavimentação rodoviária. Pivetta afirma que, desde 2019, foram asfaltados aproximadamente cinco mil quilômetros de rodovias estaduais, além da construção de pontes e melhorias na infraestrutura logística. Segundo ele, esses investimentos ajudam a explicar o crescimento econômico de Mato Grosso.
Autonomia dos estados e críticas ao governo federal
Pivetta também apoia a autonomia maior dos estados. Critica a demora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na concessão de licenças ambientais para obras em Mato Grosso, especialmente para a duplicação da MT-251, principal acesso a Chapada dos Guimarães.
Para o pré-candidato, os estados deveriam possuir maior autonomia para decidir sobre investimentos em infraestrutura de acordo com suas necessidades locais. O modelo atual estaria concentrando excessivamente as decisões em Brasília e dificulta o desenvolvimento regional.
Além das obras rodoviárias, Pivetta pretende ampliar investimentos no turismo, como a pavimentação da Transpantaneira, melhorias na infraestrutura de Nobres, Chapada dos Guimarães e Pantanal, ampliação da oferta de energia trifásica para empreendimentos turísticos e atração de voos internacionais para Cuiabá. O pré-candidato argumenta que Mato Grosso ainda explora pouco seu potencial turístico e que o setor pode gerar emprego e renda em diversas regiões do estado.
A conclusão do sistema BRT entre Cuiabá e Várzea Grande é um dos tópicos de Pivetta, que diz que trabalha para acelerar as obras e melhorar a mobilidade da região metropolitana, embora reconheça os desafios enfrentados durante a execução do projeto.
Na área econômica, Pivetta sustenta que Mato Grosso reúne condições para dobrar seu Produto Interno Bruto (PIB) nas próximas décadas, impulsionado pelo agronegócio, pela agroindústria, pela produção de biocombustíveis e pelos investimentos em logística.
Também defende maior participação da iniciativa privada na administração de equipamentos públicos. Durante a entrevista, afirmou que pretende conceder à iniciativa privada a operação do Parque Novo Mato Grosso e trabalhar pela privatização da Arena Pantanal, argumentando que o estado deve concentrar esforços na execução de políticas públicas e não na gestão operacional desses espaços.
Para Pivetta, o papel do governo é criar condições para que Mato Grosso continue atraindo investimentos, ampliando a geração de empregos e melhorando a infraestrutura necessária para acompanhar o crescimento econômico do estado.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.



