Com Marília, PT tenta acabar com sina de nunca ter vencido no Senado em Minas
Nem quem esteve na suplência nas chapas concorrentes conseguiu uma oportunidade em eventual ausência do titular da vaga

O PT tenta acabar com uma sina em Minas Gerais que já dura quase cinco décadas – desde que foi fundado, em 1980, o partido nunca teve um senador representando o estado. Nem quem esteve na suplência nas chapas concorrentes conseguiu uma oportunidade em eventual ausência do titular da vaga. E mais: de onze eleições nesse período, em quatro a legenda sequer teve candidato.
Para a eleição de outubro, o Partido dos Trabalhadores aposta suas fichas na ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, que vem liderando todas as pesquisas de intenção de voto. Marília, aliás, vem resistindo a uma pressão de uma ala do PT que defende que ela seja candidata a governadora, servindo de palanque para Lula na disputa pela reeleição. O presidente, inclusive, é quem liderou o movimento para ela tentar chegar ao Palácio Tiradentes. A ex-prefeita afirma que deixou o comando de Contagem exclusivamente para disputar uma cadeira no Senado.
Histórico de candidaturas
Dois anos depois de ser criado, em 1982, o PT já lançou candidato ao Senado: Joaquim José de Oliveira. Foi a primeira derrota. Ele terminou a disputa em 4º lugar. O vencedor naquele ano foi Itamar Franco (PMDB).
Em 1986, o desempenho petista foi ainda pior. Mesmo com o lançamento de dois candidatos, não obteve êxito. José Dazinho Gomes Pimenta ficou em 6º lugar e Élcio Reis em 7º. Os vencedores foram Ronan Tito (PMDB) e Alfredo Campos (também PMDB).
Em 1990, Patrus Ananias perdeu para a primeira colocada Júnia Marise (PRN) por uma diferença de pouco mais de trezentos mil votos. Júnia obteve 1.258.277 votos e Patrus, 934.964.
Em 1994, foram eleitos Francelino Pereira (PFL) e Arlindo Porto (PTB). Virgílio Guimarães chegou ainda mais perto do que Patrus Ananias, mas sem sucesso. A diferença de Guimarães para Porto, segundo colocado, foi de apenas 50 mil votos. O petebista computou 1.419.993 votos e o petista 1.369.632.
Em 1998, o PT não lançou candidato ao Senado. Naquele ano, quem levou a vaga foi José Alencar (PMDB).
Em 2002, foi a vez de Tilden Santiago ser lançado pelo partido e amargar uma derrota. Ficou em 3º lugar por uma margem bem apertada também. Os vencedores foram Eduardo Azeredo (PSDB) e Hélio Costa (PMDB). O peemedebista teve 3.569.376 votos e o petista Tilden Santiago contabilizou 3.301.171 votos.
Em 2006, o PT voltou a não lançar candidato. Eliseu Resende (PFL) foi eleito senador.
Em 2010, a legenda bateu na trave de novo. Fernando Pimentel, terceiro colocado nas urnas, não conseguiu superar Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS).
Quatro anos depois, o PT também não teve candidato ao Senado. Antônio Anastasia (PSDB) foi o vencedor da disputa.
2018 é considerado por muitos petistas o pior ano do partido nas eleições em Minas Gerais. Além do então govenador Fernando Pimentel terminar a disputa pela reeleição em 3º lugar, Dilma Rousseff e Miguel Corrêa Júnior ficaram longe de vencer o pleito para o Senado. O desempenho da ex-presidente, aliás, foi a grande surpresa.
Ela liderou todas as pesquisas, mas acabou amargando o 4º lugar. Os eleitos foram Rodrigo Pacheco (DEM) e Carlos Viana (PHS). Dinis Pinheiro (Solidariedade) foi o 3º colocado. Dilma ficou distante da 2ª vaga por mais de 800 mil votos. Miguel Corrêa chegou apenas na 6ª colocação.
Por fim, em 2022, o PT não teve candidato ao Senado em Minas Gerais. O eleito naquele ano foi Cleitinho Azevedo (PSC)
Cenário nacional
Atualmente, o PT tem apenas nove dos 81 senadores. São representantes de nove dos 27 estados.
- Amapá: Randolfe Rodrigues
- Bahia: Jaques Wagner
- Ceará: Camilo Santana
- Espírito Santo: Fabiano Contarato
- Pará: Beto Faro
- Pernambuco: Humberto Costa e Teresa Leitão
- Rio Grande do Sul: Paulo Paim
- Sergipe: Rogério Carvalho
Eustáquio Ramos tem quase 30 anos de carreira, sendo 25 anos na Itatiaia, onde apresenta o Jornal da Itatiaia 1ª Edição e é repórter especial de Política. É pós-graduado em Comunicação Empresarial. Coautor da Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro e do Manual de Pronúncia da Itatiaia. Já teve passagens também pela TV Assembleia, TV Bandeirantes, TV Horizonte, Record, Alterosa e Canal 23.



