Simões defende que Cleitinho denuncie formalmente a oferta de propina relatada no Senado
Cleitinho lidera todas as pesquisas de intenção de voto, mas ainda não se decidiu oficialmente sobre sua candidatura.

O governador de Minas Gerais e pré-candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), defendeu nesta sexta-feira (10) que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) denuncie formalmente a tentativa de oferecer propina para que o parlamentar não concorresse ao Executivo Estadual. O episódio foi relatado na última terça-feira (7) durante um discurso no plenário do Senado.
“Eu acho que, especialmente na hora que ele fala sobre alguém ter oferecido dinheiro para ele não concorrer, é importante que ele denunciasse essa pessoa publicamente. Porque eu, que cacei dois vereadores em Belo Horizonte, pondo a minha cara a tapa, sou daqueles que acredita que transparência. Nessa hora, é a única forma de mudar a política. E eu tenho certeza que ele está falando a verdade, devem ter oferecido mesmo. Era importante ele dizer quem ofereceu, porque isso é assunto de polícia. Eu sou muito preocupado com esse fato da gente falar que a corrupção tá existindo, mas não apontar o corruptor”, disse o governador durante agenda ao lado de Romeu Zema (Novo) no Mercado Central, em BH.
Simões se refere ao caso relatado por Cleitinho nesta semana. Na terça-feira, ele subiu à tribuna e começou a discursar contra privilégios concedidos à classe política e disse que a erradicação das benesses é o motivo pelo qual ele quer concorrer ao Governo de Minas. Ele cita ainda que mineradoras que atuam em Minas Gerais gostam de 'oferecer propina' para políticos. Em um determinado momento durante a fala inflamada, o senador contou sobre o episódio ocorrido em Divinópolis.
“Semana passada, e está bem gravadinho, bem guardado, eu gosto de falar isto, teve um político da minha cidade que me procurou, desesperado: "Cleitinho, eu preciso falar com você". "Fala". Isso foi na quinta-feira passada. "Não, eu preciso falar pessoalmente". "Fala". "Tem que ser pessoalmente, Cleitinho". Aí eu cheguei lá em Divinópolis, liguei para ele: "O que você quer falar comigo, fulano?" - não vou falar o nome dele aqui não, porque ele vai cagar de medo. "Não, eu preciso falar com você pessoalmente, deixe-me falar com você pessoalmente". Peguei, Presidente, e fui encontrar com ele pessoalmente. Eu estava tomando um caldo feijão ali no São José. Ele chegou lá, buzinou para mim: "Entra aqui no carro". Ligou o som numa altura danada, e estava assim para mim: "Cleitinho, um pessoal aí mandou te dar um recado". Eu falei: "Que recado?". "Pelo amor de Deus, Cleitinho...". "Por que esse som está alto desse jeito?". "Não, eu estou com medo de te contar uma coisa". "O que é?". "Não, eles estão te oferecendo dinheiro para ver se você desiste". "Você manda um recado: eu não vou desistir", disse.
Simões reitera defesa de que Cleitinho não concorra
Cleitinho lidera todas as pesquisas de intenção de voto, mas ainda não se decidiu oficialmente sobre sua candidatura. Simões defende reiteradamente que o senador não saia para o governo e apoie sua candidatura em um movimento de união das campanhas de direita. Nesta sexta, no Mercado Central, ele voltou a falar sobre o tema.
“Se ele se candida e ganha, isso também é um desastre para a vida política dele, porque não há condição financeira de executar nenhum dos grandes compromissos que o senador Cleitinho tem propalado. Ele acredita em isenção de vários impostos, taxas e preços públicos, que se forem isentados hoje, quebram o estado de Minas Gerais. Ele acredita em aumento real para os servidores públicos, se for concedido hoje, quebra o estado de Minas Gerais. E ele sabe disso, o senador é um homem inteligente. Então ele sabe que para ele ir para o executivo, o estado você está numa posição econômica melhor do que tá hoje. E é por isso que eu continuo dizendo que eu não acredito na candidatura eh do senador Cleitinho, que acho que não é bom para ele. Se ele ganhar, é ruim, que ele não vai conseguir cumprir esses compromissos. Se ele perder, é ruim, que demonstra fragilidade política. E eu vou continuar trabalhando para que a gente possa estar juntos”, declarou
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



