Campanha de Lula vê erro de Flávio na escolha do vice e busca aceno a mulheres
Campanha à reeleição do presidente Lula avalia que chapa de Flávio Bolsonaro perdeu chance de acenar a mulheres ao escolher Alfredo Gaspar como vice, diz analista

A indicação do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL) foi interpretada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um "erro estratégico". Segundo apuração da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, repercutida nesta quinta-feira (25) ao vivo, a avaliação do time petista é que a escolha frustrou a possibilidade de um aceno a eleitorados importantes, especialmente por não contemplar uma mulher para a vice-presidência.
Integrantes da campanha de Lula (PT) consideram que a indicação de Gaspar como vice causou frustrações e fez com que Flávio Bolsonaro (PL) perdesse uma oportunidade crucial de dialogar com segmentos estratégicos do eleitorado — em particular mulheres e evangélicos —, que representam grandes desafios eleitorais para o campo bolsonarista.
Para o time petista, Flávio Bolsonaro (PL) não precisaria de um vice com o perfil de Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS, para confrontar o atual governo. "É muito mais eficiente e razoável que esse confronto seja feito pelo próprio Flávio", afirmou Clarissa Oliveira, ao reproduzir a leitura de aliados do presidente. A analista acrescentou, ainda, o argumento de uma fonte: "Qual é o ganho de ter duas pessoas na chapa falando a mesma coisa, com perfis parecidos?".
Além da ausência de uma mulher na chapa, a campanha de Lula (PT) também observou outras declarações de Flávio Bolsonaro (PL). Em determinado momento, o deputado explicou por que desistiu de uma vice mulher e teria afirmado ter criado duas filhas para que cuidassem dele na velhice, atribuindo às mulheres um perfil de cuidado. Esse tipo de declaração, combinado ao histórico de postura de Jair Bolsonaro (PL) em relação às mulheres, é visto como um ativo importante para a campanha de Lula, na avaliação de seus aliados.
De acordo com Clarissa Oliveira, a tendência é que a campanha de Lula passe a explorar ainda mais a questão feminina, tema que já estava presente em seu discurso — sobretudo em relação ao feminicídio. O objetivo seria fazer um contraponto a Flávio Bolsonaro (PL) e enfraquecê-lo em um segmento do eleitorado onde, na avaliação do time petista, ele já "corre com menos força".
Lula (PT) também enfrenta cobranças nesse campo. O presidente foi criticado por substituir mulheres em cargos importantes de ministérios para acomodar indicados do Centrão, além de ter indicado homens para o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Clarissa Oliveira, a postura do chefe do Executivo ao longo do mandato foi a de priorizar quem ele considerasse mais adequado para cada cargo, independentemente de gênero.
A analista destacou, ainda, que a continuidade da aliança com Geraldo Alckmin (PSB) como vice é vista como um elemento central para Lula (PT), o que tornaria qualquer substituição nessa chapa improvável. "Tem outras formas de o presidente da República acenar a esse eleitorado", concluiu.
Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.



