Caiado defende mudança no Mercosul e ataca Lula: 'Não sabe o que é tabela periódica'
Candidato do União Brasil projeta mudança política no bloco sul-americano, critica dependência do país na exportação de commodities e acusa governo federal de copiar projeto goiano

O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (União Brasil), mirou suas críticas à política externa e econômica do governo federal durante sabatina na CNN Brasil nesta quarta-feira (2).
Ao projetar um novo cenário para o Mercosul e defender a exploração estratégica de minerais, o ex-governador de Goiás questionou o conhecimento técnico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tema e acusou o Palácio do Planalto de copiar um projeto estadual de sua autoria.
A provocação ocorreu enquanto Caiado defendia o fim do modelo de exportação em que o Brasil envia matérias-primas brutas para fora e compra tecnologia de terceiros. Ao falar sobre o potencial das chamadas "terras raras", o candidato afirmou que precisou ensinar o assunto ao governo federal.
"Eu acredito que ele [Lula] não saiba nem o que é uma tabela periódica, muito menos o que seja um disprósio ou um neodímio", ironizou Caiado.
Caiado argumentou que o chefe do Executivo precisa ser alguém que estude as riquezas do subsolo brasileiro em vez de adotar uma postura que classificou como "preguiçosa e relapsa".
"O governo está copiando o meu projeto"
O candidato defendeu a política adotada em Goiás para atrair tecnologia de ponta em troca da extração mineral e afirmou que a União está correndo atrás do prejuízo ao tentar regulamentar o setor apenas agora. Segundo ele, sua gestão foi pioneira ao criar uma lei estadual de minerais críticos.
"O governo agora está copiando o meu projeto. Eu fui o primeiro a fazer o que o presidente nem sabia que tinha", cravou.
Caso eleito, Caiado prometeu exigir que os países e empresas interessadas nas riquezas nacionais tragam o processo de beneficiamento para dentro do Brasil, desenvolvendo indústrias de ímãs, semicondutores e baterias.
A ideia é abandonar o termo "commodity", que ele comparou ao período colonial, quando o país apenas exportava pau-brasil e ouro bruto sem agregar valor tecnológico para a população.
Mercosul e fuga de empresas
No campo das relações internacionais, Caiado avaliou o Mercosul de forma positiva, mas condicionou o sucesso do grupo a uma mudança no cenário político interno no pleito de 2026. Ele previu que uma eventual derrota do PT nas urnas será a "maneira de sanear o Brasil" e alinhar a visão econômica do país com a dos vizinhos sul-americanos.
Para exemplificar a falta de competitividade da economia nacional, o candidato apontou a migração de mais de 250 fábricas brasileiras para o Paraguai.
Ele elogiou a estratégia do país vizinho em atrair investidores com impostos menores e ilustrou, em tom de crítica à burocracia nacional, que a classe produtiva paraguaia hoje tem recursos para "trabalhar metade do tempo e passar o final de semana em Cancún".
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



