Caiado cobra impeachment de Moraes e pede fim de sigilos no STF antes da eleição
Candidato do União Brasil alerta para risco de eleitor ir às urnas sem conhecer denúncias, pede saída imediata de Alexandre de Moraes e defende que senadores votem a cassação do ministro

O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (União Brasil), fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (2).
Em sabatina à CNN Brasil, o governador de Goiás afirmou que a permanência de Moraes na Corte é um desrespeito com a sociedade e cobrou o avanço de um processo de destituição conduzido pelos senadores.
A declaração ocorre no rastro de novas revelações sobre supostas ligações do magistrado com o ex-dono do Banco Master. Para Caiado, a crise compromete a governabilidade e atinge todos os poderes da República, criando um cenário de desgaste que tem potencial até para fomentar a desobediência civil.
O candidato exigiu uma resposta institucional da própria Corte, sugerindo a criação imediata de uma comissão interna para apurar os fatos e afastar o ministro. "O Supremo exigia muito quando tinha algum político contaminado. É hora de o Supremo cortar na carne", disparou.
Pressão sobre o Congresso
Caiado também direcionou a responsabilidade para os parlamentares. Ele argumentou que os atuais senadores já possuem número suficiente e prerrogativa constitucional para aprovar o impeachment do ministro, sem qualquer necessidade de aguardar a posse da próxima legislatura.
Aproveitando o tema da corrupção para exaltar sua própria trajetória, o candidato desafiou eleitores a buscarem seu histórico. "Dá um Google aí no Ronaldo Caiado, dá um ChatGPT. Vê se acha alguma coisa minha. Tenho 40 anos de vida pública com independência moral", enfatizou.
Alerta de 'golpe' e processos sob sigilo
Ao comentar os inquéritos em andamento no STF, o governador adotou um tom de alerta e cobrou a quebra de sigilo de todas as apurações antes do primeiro turno. "A democracia brasileira pode sofrer um golpe caso o Supremo não derrube o sigilo de todas as operações que lá estão", cravou.
Para ilustrar o risco de o eleitor ir às urnas sem saber quais políticos estão envolvidos em denúncias graves, Caiado comparou o cenário atual à eleição de Dilma Rousseff (PT).
Segundo ele, os escândalos do Petrolão foram abafados durante o período eleitoral e só vieram à tona com força após o resultado das urnas. "O eleitor não pode votar e depois ver o nome de quem elegeu envolvido nessa corrupção toda", argumentou.
Mudanças nas regras do STF
Questionado se, caso eleito, apoiaria mudanças na estrutura do STF, Caiado prometeu governar respeitando a Constituição, mas propôs endurecer os critérios para a indicação de novos ministros.
A principal medida defendida por ele é o estabelecimento de uma idade mínima de 60 anos, garantindo que o cargo seja ocupado por juristas no fim da carreira. Além disso, o candidato propõe que, antes de ser enviado para aprovação no Senado, o nome escolhido passe por uma devassa completa e uma sabatina prévia em todos os órgãos de controladoria do Estado.
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.


