Campanha esvazia Congresso e comprime calendário de votações antes da eleição
Câmara e Senado preveem esforço concentrado em agosto e setembro diante da saída de parlamentares para os estados

O Congresso inicia o segundo semestre com uma agenda represada e uma janela curta para votações antes que a campanha eleitoral esvazie Brasília. O retorno das férias dos deputados e senadores acontece oficialmente nesta segunda-feira, mas as votações em plenário só devem ficar para a próxima semana, desobrigando a presença dos parlamentares em Brasília.
Câmara e Senado devem concentrar as principais deliberações em duas semanas, de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. O calendário foi articulado pelos presidentes das duas Casas, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A estratégia busca reunir deputados e senadores nos mesmos períodos e contornar um movimento que já começa a ser percebido no Congresso: a migração dos parlamentares para suas bases eleitorais e o envolvimento nas campanhas.
As convenções partidárias terminam nesta quarta-feira (5), e a campanha começa oficialmente no dia 16. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro.
Até lá, líderes avaliam que será difícil manter o funcionamento regular do Congresso fora dos períodos reservados para votações. Deputados e senadores candidatos devem priorizar agendas nos estados, enquanto mesmo parlamentares que não disputam a eleição tendem a participar das campanhas de aliados.
Apesar da extensão da férias, as comissões da Câmara e do Senado terão os trabalhos reestabelecidos nesta semana.
O que está na pauta?
A lista de assuntos pendentes inclui propostas de forte apelo eleitoral e projetos que dividem governo e oposição.
Entre eles estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala de trabalho 6x1 e a PEC da Segurança Pública. Ambas atravessaram o primeiro semestre sem conclusão.
O Congresso também acumula vetos presidenciais e medidas provisórias que precisam ser analisados.
Parte das MPs tem prazo para votação e, diferentemente de projetos comuns, perde a validade caso não seja aprovada pelo Congresso dentro do período previsto pela Constituição. Isso tende a colocá-las à frente de propostas que podem esperar até depois das eleições.
Também estão na fila projetos como o que criminaliza a misoginia e a proposta que amplia o limite de faturamento do MEI (Microempreendedor Individual).
A definição do que será votado dependerá de acordos entre Motta, Alcolumbre e os líderes partidários.
Projetos que ficarem fora dessas janelas, por outro lado, correm o risco de serem empurrados para depois das urnas.
Congresso em ritmo eleitoral
O esvaziamento de Brasília durante a campanha é recorrente em anos eleitorais, mas ganha dimensão maior em 2026 diante do número de congressistas que precisam renovar seus mandatos.
Todas as 513 cadeiras da Câmara estarão em disputa. No Senado, serão renovadas 54 das 81 vagas.
O calendário acertado pelas cúpulas das duas Casas reflete essa dinâmica.
A primeira semana de esforço concentrado termina dois dias antes do início oficial da campanha. A segunda será realizada já durante a corrida eleitoral, a cerca de um mês do primeiro turno.
Depois disso, integrantes do Congresso avaliam que votações relevantes dependerão de acordos específicos para trazer deputados e senadores de volta a Brasília
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.




