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Deputado Ramagem deve depor na PF sobre uso de software de espionagem na Abin

Depoimento deve ocorrer na sede da Polícia Federal, em Brasília; delegado da PF e deputado federal, Ramagem foi chefe da Abin durante o governo Bolsonaro

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Ex-deputado federal Alexandre Ramagem
Ex-deputado federal Alexandre Ramagem • Carolina Antunes/PR

Alvo da operação que investiga o uso de um software israelense para espionar adversários políticos, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) deve prestar depoimento na sede da Polícia Federal (PF), em Brasília. Nesta quinta-feira (25), endereços ligados ao deputado, incluindo o apartamento funcional e o gabinete na Câmara dos Deputados, foram visitados pelos agentes da PF, que cumpriram mandados de busca e apreensão no âmbito da operação Vigilância Aproximada, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

As buscas no gabinete de Ramagem começaram por volta das 6h30. Ao todo, a PF cumpre 21 mandados de busca e apreensão, sendo 18 em Brasília (DF), um em Juiz de Fora (MG), um em São João del Rei (MG) e outro no Rio de Janeiro (RJ).

Entenda a operação

Segundo as investigações, o esquema ilegal de espionagem envolvia o uso de um software isaralense chamando “FirstMile”, capaz de obter dados de geolocalização em dispositivos móveis, como celulares e tablets, sem autorização judicial e sem o conhecimento de quem estava sendo monitorado.

A operação desta quinta é chamada de “Vigilância Aproximada”, e é um desdobramento da operação “Primeira Milha”, iniciada em outubro de 2023 para investigar o suposto uso criminoso deste software “FirstMile” dentro da Abin.

O programa - adquirido pela Abin durante a gestão do ex-presidente Michel Temer - permite o rastreio do paradeiro de qualquer pessoa através do dispositivo móvel. É possível ver o histórico de deslocamentos e criar alertas em tempo real de movimentações em diferentes endereços.

O sistema teria sido usado para espionar adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), jornalistas e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação da PF aponta que houve uma intensificação desse uso ilegal em 2021.

A operação “Vigilância Aproximada” apura se Ramagem, ex-diretor da agência, teria chefiado de uma organização criminosa que teria se infiltrado na Abin com o propósito de realizar monitoramento ilegal de autoridades públicas e indivíduos. De acordo com a investigação, o uso da ferramenta de monitoramento era feito sem a devida autorização judicial.

Os investigados podem responder pelos crimes de: invasão de dispositivo informático alheio; organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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