Defesa ganha tempo e prolonga decisão sobre extradição de Zambelli na Itália
Corte de Apelação de Roma adia julgamento para janeiro e advogado reforça tese de perseguição política

A estratégia da defesa de Carla Zambelli voltou a ganhar tempo na Justiça italiana. Pela terceira vez, a Corte de Apelação de Roma adiou a análise do pedido de extradição da ex-deputada para o Brasil, após solicitação dos advogados. A nova data para a decisão foi marcada para 20 de janeiro.
O adiamento ocorre depois de uma nova alegação da defesa, que tenta impedir o retorno de Zambelli ao Brasil e sustenta que ela deveria ser julgada em território italiano. Fabio Pagnozzi, advogado de Zambelli, apresentou documentos adicionais e insistiu na tese de que a ex-parlamentar é alvo de perseguição política e judicial, argumento central para barrar a extradição.
Defesa insiste em perseguição e questiona sistema prisional
Na audiência mais recente, os juízes analisariam justamente os documentos enviados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em resposta a questionamentos da Justiça italiana. O material detalha as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia, onde Zambelli cumpriria pena caso seja extraditada.
A defesa tenta explorar brechas nesse ponto. Desde a primeira audiência, realizada em 4 de dezembro, os advogados alegam que o sistema prisional brasileiro não garantiria condições adequadas para o cumprimento da pena, argumento que levou a Corte italiana a suspender temporariamente o julgamento para aguardar esclarecimentos oficiais do Brasil.
Moraes respondeu com um documento de 11 páginas, acompanhado de imagens, afirmando que a Colmeia segue padrões de segurança, salubridade e assistência médica, além de oferecer cursos técnicos às detentas. Também informou que nunca houve rebeliões na unidade. Mesmo assim, os defensores avaliam apresentar novos elementos, o que pode levar a outro adiamento e a uma nova rodada de manifestações, inclusive da Advocacia Geral da União, que representa o Brasil no processo.
Cassação, renúncia e impacto limitado na Itália
No campo político, a situação de Zambelli mudou rapidamente nas últimas semanas. O STF cassou seu mandato, revertendo uma decisão da Câmara dos Deputados, e a ex-deputada acabou renunciando ao cargo no último domingo. Para a Justiça italiana, porém, esses movimentos têm peso limitado.
O que está em jogo na Corte de Apelação é o princípio da dupla imputação: os juízes avaliam se os crimes pelos quais Zambelli foi condenada no Brasil também configuram delitos na legislação italiana. Nesse ponto, o cenário não é favorável à defesa.
Se a Corte de Apelação autorizar a extradição, o caso ainda poderá ser levado à Corte de Cassação. Só depois dessas etapas é que a decisão final caberá ao ministro da Justiça da Itália. Até lá, a defesa segue apostando em adiamentos, novos documentos e na narrativa de perseguição política para tentar manter Zambelli fora do alcance da Justiça brasileira.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.



