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Defesa de Bolsonaro faz novo pedido de prisão domiciliar ao STF

Defesa cita agravamento de saúde e diz que prisão amplia riscos clínicos

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Foto tirada pelo filho do ex-presidente Carlos Bolsonaro durante sua última internação • Divulgação

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a pedir nesta terça-feira (17) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a concessão de prisão domiciliar humanitária. O novo pedido ocorre após a última internação por broncopneumonia bacteriana registrada pelo ex-presidente. Ele segue internado desde a última sexta-feira (13) no hospital DF Star, em Brasília.

O novo pedido foi apresentado ao ministro Alexandre de Moraes após Bolsonaro apresentar um mal-estar súbito na cela, com febre, vômitos e queda na saturação de oxigênio, sendo levado às pressas ao hospital. Segundo a petição, o episódio confirmou riscos médicos que já vinham sendo apontados em laudos anteriores.

Os advogados argumentam que o quadro clínico recente agravou os riscos à saúde e exige monitoramento contínuo, o que não seria possível no ambiente de custódia.

Na petição, a defesa afirma que o caso deixou de ser um risco potencial e passou a ser um evento concreto. Os advogados sustentam que a permanência no sistema prisional expõe Bolsonaro a um “risco progressivo”, diante da ausência de vigilância médica contínua e da demora no atendimento em situações emergenciais.

Um dos pontos destacados é o intervalo entre o início dos sintomas e o atendimento médico. Segundo o relato, os primeiros sinais ocorreram por volta das 2h, mas o atendimento só teve início às 6h45, o que, para a defesa, evidencia a limitação do ambiente de custódia para lidar com intercorrências graves.

Os advogados argumentam que o ex-presidente apresenta quadro de “multimorbidade grave”, com histórico de problemas respiratórios e necessidade de acompanhamento contínuo, inclusive com risco de novos episódios de insuficiência respiratória.

Nesse contexto, a defesa sustenta que a prisão domiciliar “não se apresenta como medida de privilégio, mas como providência necessária para assegurar condições mínimas de tratamento médico adequado, de modo a não se operar uma ampliação indevida dos riscos clínicos”.

O pedido solicita a reconsideração de decisão anterior do ministro Alexandre de Moraes, que havia negado a domiciliar no início de março. Agora, os advogados alegam a existência de um fato novo - a internação - que justificaria a mudança de entendimento.

A defesa também propõe a adoção de medidas como monitoramento e restrições adicionais, caso o benefício seja concedido.

Pedidos já rejeitados

Nas decisões anteriores, o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de prisão domiciliar ao entender que, apesar do quadro de saúde, não havia comprovação de que o tratamento não pudesse ser realizado onde Bolsonaro está preso. O magistrado destacou que o ex-presidente tinha acesso a acompanhamento médico, estrutura adequada e atendimento emergencial, o que afastaria, naquele momento, a necessidade de substituição da prisão por domiciliar.

Além disso, Moraes considerou que os elementos apresentados pela defesa não demonstravam risco concreto imediato que justificasse a medida excepcional.

Jair Bolsonaro cumpre pena em unidade de custódia conhecida como 'Papudinha', administrada pela Polícia Militar em Brasília. Condenado por tentativa de golpe e abolição violenta do Estado de Direito, ele foi condenado 27 anos e 3 meses de reclusão, com cumprimento inicial em regime fechado, além de outras sanções previstas na sentença.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio