CPI do MST visita assentamentos em Alagoas, e Salles xinga morador: 'palhaço! Vai trabalhar, vagabundo'
Morador filmava ida do relator Ricardo Salles e do presidente Zucco ao acampamento São José, em Atalaia, quando xingamentos aconteceram

Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga invasões do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no governo Lula (PT), Ricardo Salles (PL-SP) se excedeu em diligência ao Acampamento São José, no município de Atalaia, em Alagoas, nessa sexta-feira (11). Imagens que circularam nas redes sociais mostram o parlamentar irritado e atacando um morador do assentamento: "Palhaço! Vai trabalhar, vagabundo!", disse ao integrante do MST; no instante, o presidente da CPI do MST, deputado Zucco (Republicanos-RS) segura o braço do colega parlamentar. Ao fundo na gravação há um burburinho; contudo, não é possível ouvir com clareza o que é dito.
Na última sexta-feira (11), Zucco, Ricardo Salles e o vice-presidente da CPI, delegado Fabio Costa (PP-AL), lideraram diligências em assentamentos do MST em Alagoas. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar Fabio Costa declarou ter encontrado irregularidades nos acampamentos. "Tudo o que foi apurado nessa diligência será documentado e apresentado na CPI da Câmara dos Deputados para que os responsáveis pelos possíveis crimes sejam punidos", escreveu. O presidente Zucco reiterou o alerta do colega e afirmou haver indícios de que o Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Itera) patrocina o MST. "Notas fiscais recolhidas em Maceió mostram gastos com lonas, refeições e ônibus para acampados que participam de 'manifestações'", publicou.
Iframe Embed
Manobra partidária do Centrão, fim antecipado da CPI e mal-estar na comissão
O mal-estar na comissão entre oposição e o Palácio do Planalto começou na última terça-feira (8) com a retirada de dois deputados do MDB contrários à ala governista da CPI do MST. No dia seguinte, quarta-feira (9), data para a qual estava marcado o depoimento de Rui Costa, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anulou o requerimento que determinava a convocação e livrou o chefe da Casa Civil de ir à comissão. Em seguida, mais cinco deputados alinhados à oposição foram retirados da CPI.
Perguntado se a comissão estaria enfraquecida com as mudanças, Ricardo Salles criticou o movimento do governo. "Sem dúvida está [enfraquecida. Quando o governo manobra para pressionar os partidos que querem cargos no governo e tira deputados que apoiam a CPI para colocar os que querem obstruí-la, evidentemente ela enfraquece", afirmou após a sessão desta quinta.
Na última quarta-feira, Salles já havia informado o desejo de não protocolar requerimento pela prorrogação da CPI por 60 dias. No dia seguinte, quinta-feira (10), ele avançou e indicou que os trabalhos devem ser encerrados nos próximos dias. "Nós decidimos diante das manobras não prorrogar a CPI", declarou. "Para além de não prorrogar, consideramos firmemente a hipótese de entregar o relatório na próxima semana com as informações coletadas. Nós não temos mais condições de atuar para buscar a verdade. Não faremos teatro na CPI", acrescenta. "Ouviremos o Stédile [João Pedro Stédile, liderança do MST) na terça-feira [15 de agosto] e entregar o relatório na própria terça ou na quarta-feira", crava.
Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.
