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Conheça os impactos da declaração de Lula sobre Israel, o holoucausto e Gaza

Pedido de impeachment, crise diplomática e persona non grata

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Conheça os impactos da declaração de Lula sobre Israel, o holoucausto e Gaza • Ricardo Stuckert

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em missão internacional na África, sobre a investida de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza, repercutiu mais que o governo esperava, embora, ao que tudo indica, o tom da fala de Lula não tenha sido programado. Ao comparar o contra-ataque isralenente em Gaza ao Holocausto imposto pelos nazistas ao povo judeu, Lula despertou a ira do primerio ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que além de afirmar que o petista "ultrapassou a linha vermelha", declarou o presidente brasileiro persona non grata. Para tentar conter os impactos, o governo vai agir em duas frentes. Uma delas será no parlamento, com a base fazendo frente aos deputados da oposição que, até a noite de ontem, somavam 98 assinaturas para o pedido de impeachment de Lula, alegando crime de responsabilidade. A outra, fica a cargo do Itamaraty.

Crime de responsabilidade

Segundo o advogado Arthur Guerra, professor de direito constitucional, os deputados se referem ao artigo 5º da constituição: "cometer ato de histilidade contra nação estrangeira, expondo a república ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade". Acatar o pedido de abertura do processo de impedimento compete à Câmara dos Deputados, o que pode ser feito somente quando houver 2/3 dos votos a favor. Autorizada a abertura, o julgamento é feito pelo Senado Federal. Submeter o pedido à votação depende, no primerio momento, do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP). Dentre os aliados de Lula no parlamento, o assunto é lido como "espuma de começo de ano" que não deve avançar no Congresso, embora possa atrasar debates prioritários para o governo no retorno do recesso parlamentar.

Briga nas redes

Nas redes, parlamentares petistas mais aguerridos seguem no apoio à fala de Lula. O deputado federal, Rogério Correia (PT), por exemplo, polarizou com a deputada Tabata Amaral (PSB), no X (antigo twitter), e comparou a Faixa de Gaza a um campo de concentração.

"Lamento profundamente o comentário feito hoje pelo presidente Lula. Comparar a guerra atual ao Holocausto, no qual 6 milhões de judeus foram sistematicamente assassinados pelo regime nazista, é errado e irresponsável. Precisamos sim de um cessar-fogo urgente na Palestina e da liberação dos reféns israelenses. O número de vítimas é inaceitável. Mas falas como essas só alimentam com mais ódio essa tragédia e nos afastam de seu fim", disse Tábata.

"Me permita polarizar com você, Tabata. O assassinato diário de crianças e mulheres desarmadas, cercadas como em um campo de concentração, é imperdoável, principalmente ao povo judeu que tanto sofreu nas mãos de Hitler, um populista de ultra direita. Netanyahu, populista de ultra direita, não tinha o direito de expor Israel desta forma", respondeu o parlamentar.

Sem processo na justiça

O fato é que interlocutores de entidades ligadas a Israel ainda não trabalham com a ideia de judicializar a questão porque, juridicamente, segundo uma das fontes da coluna, é complexo delinear o crime de racismo, embora a fala do presidente tenha sido mal-sucedida. No entanto, eles elencam vários pontos para mostrar que o holoucausto e a incurssão de Israel à Gaza são incomparáveis: "judeus nunca atacaram nazistas (como o grupo extremista Hamas fez com israel); Israel não pretende exterminar os palestinos (embora entidades palestinas aleguem o contrário); não há trabalho forçado e Gaza como havia nos campos de concentração". Esses são alguns pontos listados por fontes da coluna para sustentar que a comparação é inviável e ofensiva.

Diplomacia

No ministério das Relações Exteriores, o tema divide opiniões. No entanto, a ideia de que o governo deveria recuar é forte o que, possivelmente, não vai acontecer, já que uma postura mais incisiva em relação à Israel já era uma vontade de Lula e também de seu assessor especial, ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Logo após o conflito, segundo parte do corpo diplomático, o ministro Mauro Vieira chegou a ficar em situação de melindre por causa do posicionamento ponderado em relação ao conflito.

Reunião de Emergência

O presidente Lula convocou, na manhã desta segunda (19), uma reunião com Amorim e o ministro chefe da secretaria de comunicação, Paulo Pimenta, para tratar do assunto.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

 

 

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